Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 30/11/2020

Após do assassinato de George Floyd por policiais nos Estados Unidos, explodiram ao redor do mundo manifestações e atos contra o racismo. No Brasil, foi acessa uma antiga discussão a respeito da brutalidade da ação policial contra pessoas negras, evidenciada pelo assassinato de um homem negro por dois seguranças de um supermercado, ocorrido nesse ano de 2020, e por diversos outros casos, que infelizmente não tendem a ganhar tanta repercussão. Em suma a violência policial contra negros no Brasil e no mundo, é a junção de dois problemas distintos, a violência policial, de forma geral, e o racismo estrutural ainda presente na sociedade.

Em primeiro lugar, A violência policial nasce do narcisismo do mal policial, que levado pela sua posição de poder tende a agir com arrogância e agressividade, atuando de forma violenta, verbal ou fisicamente. É notória a constante utilização de uma posição de poder para diminuir outra pessoa, ou se elevar acima da lei (famosa carteirada). Assim como pode ser observado no caso do desembargador que estava caminhando sem máscara pela orla de Santos, quando foi abordado por guardas municipais, os quais sofreram ofensas verbais e tentativas de intimidação por parte do desembargador, por conta de sua posição de poder.

Por outro lado, A violência policial contra negros é fruto do racismo enraizado na sociedade contemporânea. Diferente do racismo “clássico”, aquele racismo descarado, o racismo estrutural é muito mais discreto, fruto de um elemento histórico, da incompetência do Estado em garantir ao negro recém liberto, acesso aos direitos básicos e a capacidade de acender socialmente, tornando o negro a imagem do pobre, do favelado, do ladrão. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), brancos possuem renda 70% superior a pretos e pardos, tal desigualdade é resultado do racismo de anos atrás, e é o que mantém o racismo de hoje em dia.

Tendo em vista o assunto abordado, e buscando solucionar esse problema, é imprescindível que os órgãos de segurança pública invistam em eventos e cursos anuais e obrigatórios, com profissionais capacitados, aos agentes de segurança, com cunho educativo, a respeito do racismo e de outros formas de preconceito, além da capacitação em técnicas de defesa pessoal. A fim de que, o profissional possua a capacidade de realizar uma autoavaliação de suas ações, e que ele seja capaz de cumprir suas funções, preservando a vida de todos os envolvidos em uma situação de enfrentamento, independente de cor, raça ou sexo, assim como determina a Constituição Federal.