Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 14/12/2020

Nas páginas da obra de Machado de Assis “Memórias Póstumas de Brás Cubas“, o personagem principal relata não ter tido filhos para não perpetuar o legado da miséria humana. Infelizmente, diante da história é possível dar razão ao defunto, contextos como os da escravidão ou do Apartheid demonstram a condição dos seres humanos e sua falha de conduta ao se considerar superiores uns aos outros. Desse modo, ficam claros que processos históricos da inconcebível hierarquização racial acarreta graves preconceitos que refletem na sociedade atual e atingem às relações sociais, o que gera violência, sobretudo contra negros, que são discriminados apenas pela cor da pele.

Antes de tudo, vale salientar o panorama no qual a sociedade foi construída. Dado isso o tratamento diferenciado entre as raças foi e é uma grande questão social. Isso é representado no filme “Histórias Cruzadas” que demonstra a segregação dos Estados Unidos durante o Apartheid, época na qual havia de uma divisão concreta entre as etnias, e que negros e brancos não podiam nem frequentar os mesmos ambientes. Dessa maneira, é notório que esses contextos construíram um corpo social racista e que influenciam nas condutas sociais, o que implica em efeitos negativos e gera violência.

Consequentemente, casos de discriminação racial são comuns e a violência contra negros também. Em contrapartida ao pregado pela Constituição Federal de 1988, que tem segurança como direito básico, negros são violentados até mesmo por quem deveria contribuir para o cumprimento da legislação. Com isso, casos como o de George Floyd, homem negro que foi asfixiado por um policial branco nos Estados Unidos, se tornaram recorrentes e comprovam que ainda há muito a ser feito no corpo social assolado pelo racismo, no qual, ainda existem profissionais brancos que se sentem superiores pela sua posição profissional ou pela cor da sua pele.

Portanto, é inegável que a segregação racial pauta as relações sociais, o que inclui até a segurança dos Indivíduos. Diante disso, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública promover a plena segurança, isenta de preconceitos, de todos os cidadãos, sem exceções. Isso poderá se dar por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, no qual, deverá ser prevista a obrigatoriedade de treinamento aos novos policiais e cursos de reciclagem aos profissionais atuantes, para promover uma conduta adequada e desconstrução de possíveis preconceitos, e também punição severa em casos de denuncias de abordagens inadequadas a negros. Além disso, deve-se priorizar a contratação de mais profissionais negros que sabem o que é viver em um mundo racista. Assim, será possível, em longo prazo, diminuir os casos de violência policial contra negros e fazer do mundo um lugar onde Brás Cubas se orgulharia de criar seus filhos.