Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 18/12/2020
A violência policial contra a população negra é um problema sério, não só nos EUA, mas também no Brasil e em todo o mundo. Segundo dados apresentados pela DW, somente no primeiro semestre de 2019, a polícia carioca matou 1075 pessoas, sendo 85 por cento destas, negras. Tal situação é fruto de problemas enraízados no contexto sócio-cultural cujo o mundo se encontra - como, por exemplo, o racismo estrutural - e é agravada pelo populismo penal midiático.
O termo ´´populismo penal midiático´´ diz respeito à interferência negativa que a mídia produz no povo através da supervalorização do crime, da adequação e uso de esteriótipos de vítima e culpado e ´´romantização´´ da punição. Em outras palavras, os jornais-televisivos, por exemplo, que apresentam reportagens sobre crimes cometidos (ou supostamente cometidos) por negros, alegando que o sujeito acusado tem ´´cara de bandido´´ e merece sofrer agressões físicas e/ou verbais e psicológicas pelo crime que dizem ter cometido (já que, em alguns casos, não possuem provas concretas), incentivam e normalizam, entre outros, a violência policial contra os negros.
Desse modo, uma maneira prática e eficaz de combater a aspereza policial contra a pessoa negra, ou, ao menos, deixar de apoiá-la (mesmo que indiretamente), é parando de acompanhar o jornalismo policial. Ainda assim, não se pode esquecer que essa é somente a ´´ponta do iceberg´´; o populismo penal midiático é uma consequência do racismo estrutural, da dívida histórica que muitos países (incluindo o Brasil) possuem com os negros e da manipulação política acometida contra povo com a utilização da imposição do medo. Ou seja, há muitos problemas para se resolver, mas, como é necessário iniciar ´´por algum lugar´´, o abandono do consumo do jornalismo policial é útil.