Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 24/12/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Todavia, o que se observa na realidade contemporânea é oposto do que o autor prega, visto que a violência policial contra os negros dificulta a concretização dos planos de More. Diante disso, destaca-se não só a hierarquia social racista e classista enraizada na sociedade, mas também a exclusão social para a permanência deste cenário antagônico no Brasil. Portanto, torna-se fulcral a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade não só no cenário hodierno, mas também ulteriormente.
Vale destacar, inicialmente, a indiscutível ineficácia da ação pública no presente panorama. Sob esse viés, a elaboração da Constituição Cidadã, há 32 anos, baseou-se na concepção de que é dever público manter e zelar efetivamente por condições dignas no que concerne à saúde, moradia, a liberdade de expressão e, sobretudo, de inclusão social. Entretanto, percebe-se que a realidade prática diverge da teoria magna, uma vez que a desigualdade social perdura até hoje. Tal realidade, portanto, nega prerrogativas constitucionais basilares e, por isso, deve ser alterada.
Ademais, é imperativo ressaltar os ideais racistas como importante causa da conjuntura. Assim sendo, a sociologia moderna define a tomada de posturas passivas e acríticas diante de situações relevantes como fruto da alienação e da ignorância. Nessa perspectiva, o desconhecimento dos impactos práticos do seu desequilíbrio induz ao negacionismo e ao sentimento apático, incongruentes com a gravidade manifesta. Logo, faz-se mister o reconhecimento deste quadro deletério.
Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para mitigar o avanço da problemática na sociedade brasileira. Por conseguinte, é imprescindível que o Poder Executivo direcione capital que, por intermédio do Poder Legislativo e do Ministério da Educação, será revertido, na criação de leis que fiscalizem a violência policial, além de promover palestras e debates acerca desta problemática com a presença de psicólogos, estudiosos do assunto, e relatos de vítimas com o fito de reeducar os poliociais e minimizar os fatores condicionantes dessa realidade nocente. E somente assim, como resultado, os impactos adversos serão diminuídos, e possivelmente, erradicados. Dessa forma, a coletividade alcançará a “Utopia” de More.