Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 31/05/2021
Em agosto de 1963, na também chamada “Marcha de Washington”, o ativista político Martin Luther King citou em seu discurso: “Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter”. No entanto, olhando para o cenário atual e tendo em foco a violência policial contra os negros no país e no mundo, podemos afirmar que com todos os anos que se passaram esse sonho nunca se realizou. Nesse sentido é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligada ao chamado racismo institucional e marginalização da população carente.
Por mais que as leis garantam a igualdade entre os povos, o racismo é um processo histórico que modela a sociedade até hoje. Principalmente quando se diz repeito a violência policial, onde a porcentagem de negros mortos em ações da polícia é muito superior a de pessoas brancas, chegando no Brasil a 70%, de acordo com a pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Nesse viés, o racismo institucional alicerça esses dados, tendo em vista que de forma indireta, instituições pública e privadas promovem exclusão e o preconceito racial. Prova disso é a abordagem policial contra negros que tendem a ser mais agressivas em comparação a pessoas de pele clara.
Além disso, a marginalização da população carente que na sua maioria vivem em áreas violentas de grandes países, carregam o preconceito e sofre de imediato com o mesmo tipo de racismo encontrado pelo mundo em relação ao tratamento que recebem das forças militares. Por serem negros e pobres são ligadas à imagem de pessoas perigosas e antes mesmo de receberem o benefício da dúvida, já são tratadas como quais. Confirmando isso está a dezenas de mortes em operações em favela do Rio de Janeiro, em que mais se mata do que se prendem e também no recente caso de George Floyd, nos Estados Unidos, morto por um policial branco em frente de várias pessoas.
Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental que o governo de cada país atue por meio do seu departamento de segurança, através de treinamentos, no intuito reformular a mentalidade dos seus agentes, para que façam seus trabalhos de forma igualitária e usando da força cabida para cada situação, pelo pressuposto de necessidade e não em relação à cor e muito menos a origem do individuo. Ademais, cada país por meio da educação, precisa priorizar no ensino o debate sobre racismo, incluindo no seu currículo escolar uma matéria destinada ao assunto. Enraizando o respeito ao próximo desde pequeno, trazendo uma nova mentalidade paras gerações futuras, transformando nossa sociedade e realizando assim o sonho não só do ativista citado, mas também o de todos que sofreram e sofrem por sua cor.