Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 14/05/2021

Desde o século XVI, período no qual ocorreu a colonização do Brasil, os negros são desvalorizados e desrespeitados pelos demais indivíduos. Nesse contexto, é possível observar que a aversão e a violência contra estes foram trazidas pelos europeus e mantiveram-se na formação da cultura brasileira, perceptível, atualmente, na relação entre os policiais e tal grupo social. Sendo assim, depreende-se que a violência policial contra os afrodescendentes é um reflexo do racismo presente na sociedade e da ideia de hierarquia entre as raças, menosprezando os descendentes de africanos.

Em primeira análise, é necessário destacar que a formação dos militares é baseada nos preceitos tradicionais e antigos, sendo responsável por uma visão preconceituosa e autoritária. Nesse sentido, a associação do tom de pele com atos criminosos, que é comum entre os membros da polícia, pode ser observada nos casos do assassinato de George Floyd e João Alberto, nos Estados Unidos e no Brasil, respectivamente. Além do mais, a teoria da Democracia Racial, desenvolvida pelo sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, intensifica e serve de justificativa para os atos racistas por negar que haja discrepância no tratamento dos indivíduos de acordo com o tom de pele destes. Em suma, observa-se que, atrelada à formação militar rígida, a teoria do sociólogo é uma forma de mascarar e negar a existência do racismo na interação entre as pessoas, principalmente entre policiais e negros.

Outrossim, a adesão por parte de alguns militares aos ideais nazistas servem de exemplo para que seja concretizada uma hierarquia entre raças, de modo geral. Nesse viés, opiniões como a superioridade policial em relação aos demais civis e a desvalorização dos negros, associando-os à uma raça inferior, são fortemente disseminadas nos batalhões, além de desmerecer e criminalizar as religiões de matriz africana. Exemplo disso é a impunidade dos responsáveis por ataques aos terreiros da Umbanda e do Candomblé e a ação judicial que tirou a guarda de uma mãe por ter levado a filha para um ritual religioso não cristão. Logo, a violência policial contra os negros extrapola o conceito de agressão física, estando presente também na negligência quanto aos crimes contra estes, na discriminação em situações cotidianas e no desrespeito às suas crenças.

Portanto, é de responsabilidade do Governo Federal romper com os preconceitos relacionados aos negros por meio da adequação do treinamento policial e gradativamente alterar o cenário dos quartéis, a fim de reduzir a importunação racial dos policiais e o racismo na sociedade como um todo. Além do mais, as famílias devem rever a educação repassada para os filhos, para que, por meio de valores pautados na empatia e no respeito, as futuras gerações possam reduzir ao máximo a disparidade entre os indivíduos em decorrência do tom de pele.