Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 06/07/2021
No livro “Capitães Da Areia”, de jorge amado, o protagonista, à pedido de uma amiga, invade uma delegacia para roubar uma estátua de Ogun que havia sido apreendida pela polícia. A história, dessa forma, consegue mostrar a repressão estatal à classe afrodescendente no Brasil, algo que se materializa em diversas partes do mundo, muitas vezes de forma violenta. Tal violência, cometida pela polícia, é um triste desvio de conduta dos Estados, mas representa uma continuação de uma histórica relação perversa entre os negros e o governo.
Primeiramente, o tratamento dado pelos órgãos de segurança aos negros representa um desvio grave de conduta. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, fruto da Revolução Francesa e base para muitas constituíções, diz que os direitos à propriedade, à liberdade e à vida são inalienáveis. Ainda Assim, os Estados, como o Brasil e os Estados Unidos da América, negam essas conquistas fundamentais aos negros. Isso é evidenciado por casos como o de George Floyd, assassinado covardemente por um policial, tendo, assim, seu direito à vida negado por aqueles que deviam o proteger. Dessa maneira, é evidente o desvio dos Estados à conduta ideal de defesa dos seres humanos.
Apesar disso, a violência policial é a encarnação moderna da repressão estatal aos negros. Desde o começo da colinização do Novo Mundo, governo e afrodescendentes mantém uma relação negativa. Durante o período da escravidão, esta se deu por meio da violência dos senhores e da exploração. Após o fim dos trabalhos forçados, com os negros, pelo menos no Brasil, despejados na sociedade sem nenhum auxílio, essa relação negativa se materializa na repressão policial, muito evidente em operações como a do Jacarezinho, que deixou ao menos 28 mortos. Assim, percebe-se que a violência dos setores de segurança para com afrodescendentes é uma continuação da triste história enfrentada por esse povo.
Portanto, é evidente que apesar dos Estados serem criados para garantir a dignidade e os direitos dos seres humanos, ele continua com a histórica repressão aos negros. Para alterar essa realidade perversa, é necessário que a população, juntamente com os movimentos sociais, pressionem o governo, por meio de campanhas publicitárias e protestos, para a criação de um tribunal especial, que julgaria exclusivamente os crimes raciais de violência policial. Isso permitiria que tais crimes pudessem ser julgados de forma mais eficiente, o que levaria a maiores punições e à redução da repressão estatal contra esta classe.