Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 22/05/2021

Agatha Vitória Sales tinha 8 anos, Eduardo de Jesus, 10 anos, João Pedro Matos, 14 anos e Guilherme Silva Guedes, 15 anos. Todos eram negros. Todos moravam em comunidades pobres. Todos foram mortos pela polícia brasileira e, muito cedo, passaram a fazer parte de uma estatística cruel no Brasil que evidência o racismo estrutural: a violência policial.

O racismo estrutural se expressa no genocídio escancarado da juventude negra e em diversas formas de desigualdade. Na hierarquia de gênero, por exemplo, as mulheres negras são as que mais morrem e sofrem com a violência doméstica.

A mortalidade de jovens negros no Brasil é superior a de países em guerra civil no mundo. São 63 mil jovens brasileiros mortos por ano, sendo mais de 70% são negros.

A lista de pessoas negras vítimas dessa tragédia é extensa no Brasil.

De acordo com o Atlas da Violência 2020, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os casos de homicídio de pessoas negras (pretas e pardas) aumentaram 11,5% em uma década. Já na contramão desses dados, entre 2008 e 2018, período avaliado, a taxa entre pessoas não negras (brancos, amarelo e índio) fez o caminho inverso, apresentou queda de 12,9%. As cores e a classe social da tragédia brasileira A pequena Agatha morava Complexo do Alemão e foi morta com um tiro nas costas disparado por um Policial Militar (PM).

Eduardo, também do Alemão, foi morto na porta de casa por um tiro disparado por policiais. João Pedro, do Complexo do Salgueiro, perdeu a vida com um tiro na barriga após uma operação da Polícia Federal e da Polícia Civil. Guilherme, na Vila Clara, em São Paulo, foi encontrado morto em um terreno com dois tiros na cabeça, em Diadema, cidade do Grande ABC, disparados também por um PM.