Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 26/05/2021

A abolição da escravidão não significou o fim da exploração europeia sobre os povos africanos, que, durante o imperialismo, sob a justificativa do darwinismo social, sofriam com abusos aprovados pelas nações da Europa, como a instauração de guerras, o genocídio e a retirada dos seus recursos naturais. Portanto, os mecanismos de opressão contra os negros, em escala mundial e, sobretudo, no Brasil, manifestam-se a partir do Estado e de organizações apoiadas por ele, tal como a violência exercida pela polícia. Dessa maneira, esse cenário é resultado tanto da permanência do racismo estrutural na sociedade, quanto da insuficiência de ações governamentais para proteger esse grupo minoritário.

Primeiramente, o racismo estrutural, fruto da escravidão, é responsável pelo aumento dos casos de violência policial contra a população negra. Consoante Jessé Souza, a base das instituições brasileiras é escravocrata. Logo, mesmo no século XXI,  além do racismo estar presente nas relações sociais, ele se manifesta também na insituição da polícia, capaz de reproduzir, na sua abordagem, atitudes que contribuem com a violência policial. Consequentemente, os negros, mundialmente, são vítimas da opressão praticada pelos agentes que deveriam proteger os cidadãos, assim como os povos africanos sofriam com os abusos dos governos imperialistas sob o pretexto da propagação da civilização.

Outrossim, a carência de medidas estatais nos países que apresentam um histórico de racismo é a causadora dos altos índices de violência policial contra os afrodescendentes. Assim, tal atuação insuficiente do Estado, no Brasil e nos EUA, é verificada desde a abolição da escravatura, em que não foram nem implementadas políticas para inserir, de forma digna, o negro na sociedade e no mercado de trabalho, nem para reduzir o preconceito sofrido por tal minoria. Desse modo, a esfera governamental é uma aliada da polícia, ao permitir a disseminação  do tratamento desigual e da violência praticada pelos seus trabalhadores contra a população negra. Dessa forma, é importante uma maior presença estatal, no âmbito mundial, para proteger os negros das injustiças perpetuadas desde o fim da escravidão.

Diante disso, para reduzir os mecanismos de opressão policial sobre as pessoas negras, é necessário que a ONU crie o Plano de Combate à Violência Policial, que, mediante a atuação dos países participantes, deve criar centros para a promoção de palestras sobre o racismo estrutural, ministradas por profissionais especializados, a fim de não só educar os seus habitantes acerca da temática, como minimizar comportamentos racistas e ampliar a participação estatal na resolução da problemática. Esses centros contarão também com orientação jurídica e espaço para denúncia dos casos de violência cometidos pelos policiais. Em suma, por essas vias, o mundo reduzirá os abusos praticados pelas instituições contra os negros, atenuando o efeitos da exploração europeia desde a escravidão.