Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 06/07/2021
No filme norte-americano “O Ódio Que Você Semeia”, a personagem Star é uma adolescente negra que, desde pequena, aprende com os pais como se comportar na presença de um policial. Ela é ensinada a não fazer movimentos bruscos, ser obediente e deixar sempre as mãos à mostra para minimizar os riscos de ser agredida ou morta, até que um dia ela presencia seu melhor amigo, também negro, ser assassinado por um policial branco ao pegar uma escova de cabelo dentro de seu carro. Embora todos os seres humano tenham direito à vida, na prática, tal garantia é deturpada, visto que muitos negros são mortos diariamente, independente se cometeram crimes ou não. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão das narrativas eurocêntricas, mas também devido ao despreparo policial.
Em primeira análise, é evidente que o legado histórico eurocêntrico permanece vigente no Brasil e no mundo. Desde a Bíblia, se fala que os negros eram uma maldução e retratados como punição e, com essa justificativa, algumas autoridades europeias estabeleceram a pirâmide de raças e decidiam que os escravos afrodescendentes não tinham alma. Dessa maneira, fica claro que, infelizmente, muitas pessoas ainda perpetuam discursos de ódio para com essa parcela da população, tendo em vista que esses comportamentos são nocivos para o convívio social e a violência policial retrata uma grave consequência das narrativas eurocêntricas.
Ademais, vale ressaltar que o despreparo profissional dos policiais no Brasil e no mundo contribui para o aumento da violência contra negros. Segundo dados da Central Única dos Trabalhadores, cerca de 63 mil jovens brasileiros são mortos por policiais no ano, sendo mais de 70% negros. De maneira análoga, é possível observar que o Estado acaba por falhar perante a preparação das pessoas dispostas a ocupar esses cargos, que claramente ignora ações que poderiam, potencialmente, fomentar a qualificação profissional dos policiais. Desse modo, o poder público atua como agente perpetuador de grande parte das mortes das pessoas negras no mundo e torna-se clara a necessidade de reverter o cenário caótico em que vivemos.
Portanto, pode-se inferir que a violência policial contra negros está em questão no Brasil e no mundo e é um tema que carece de soluções. Sendo assim, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, ampliar o investimento em políticas públicas que incentivem os indivíduos a desconstruir a herança histórico-cultural de discriminação, promovendo a empatia e o convívio social sem preconceitos através das redes sociais e palestras socioeducativas nas escolas. Além disso, é fundamental que o Governo federal garanta um processo de seleção policial mais rigoroso, contratando pessoas que investiguem mais a fundo o psicológico dos candidatos para que possamos garantir um Estado de bem-estar social.