Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 07/08/2021

Em sua canção “American Skin (41 Shots)”, Bruce Springsteen fala sobre um caso de violência policial contra um imigrante negro nos Estados Unidos no início dos anos 2000. No Brasil, entretanto, mesmo após mais de uma década, a problemática segue presente, apoiada por um passado escravocrata que estruturou uma sociedade em moldes racistas. É necessário, portanto, analisar as raízes históricas da questão, bem como seu reflexo nas instituições de segurança e uma possível medida para atenuar seus efeitos sobre os cidadãos.

Inicialmente, é válido destacar o papel desempenhado pela escravidão na construção do preconceito racial. Embora a Lei Áurea tenha abolido, em 1888, a escravidão no Brasil, não foram tomadas medidas governamentais para incorporar a população negra à sociedade, de modo que essa foi marginalizada e hostilizada por séculos. Sob essa perspectiva, é de se esperar que uma sociedade construída dentro desses moldes fosse estruturalmente racista e refletisse tal aspecto em diversos âmbitos.

Como consequência, percebe-se discriminação racial na própria instituição, ironicamente, responsável por proteger a população (em sua maioria negra). De acordo com dados levantados pelo G1 em 2020, cerca de 78% dos mortos pela polícia, no Brasil, eram negros. Desse modo, fica evidente que a violência policial não é aleatória, e sim fruto de um preconceito enraízado no imaginário popular desde os tempos coloniais e que tem reflexos nos aspectos socioestruturais que compõem o país.

Desse modo, evidencia-se que são necessárias medidas para reduzir esse alarmante índice de mortes. Para isso, o governo federal, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, deve adotar práticas de controle do uso da força policial, adicionando módulos que abordem o tema no treinamento desses profissionais e criando leis mais rígidas que punam os responsáveis por atos excessivamente violentos contra a minoria social em questão. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais igualitária e reduzir a violência policial contra negros no Brasil.