Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 11/08/2021

“Olhos que condenam” é uma série que conta a história real de um grupo de jovens negros nos Estados Unidos que foram injustamente acusados de terem estuprado uma mulher. Fora da ficção, não é incomum que a população negra seja reprimida, principalmente pela força policial. Isso ocorre por causa das políticas públicas ineficientes dos países marcados pelo passado escravocrata e pelo racismo estrutural que permeia essas nações.

A priori, o Brasil, último pais a abolir a escravidão nas américas, há pouco mais de 100 anos deixou formalmente de escravizar negros africanos. Apesar da lei Aurea de 1888, os ex-escravos nao foram devidamente indenizados pelos anos de trabalho forçado. Isso porque depois de serem libertos tinham que procurar seu própio sustento e, por isso, grande parte da população negra ainda permanece em situação de grande vulnerabilidade. Sendo assim, desprovidos de recursos básicos como saúde, segurança, educação e empregos formais, muitas vezes essas pessoas recorrem ao tráfico. Nesse cenário, insere-se a chamada “guerra às drogas”, uma política pública que tem como premissa acabar com o tráfico por meio da repressao policial. Contudo, além de ineficiente, essa ação promove um genocídio da população negra, uma vez que a sociedade é marcada pelo racismo estrutural.

Nesse sentido, o racismo estrutural - que permeia as sociedade dos países com passado escravocrata - impulsiona a violência policial contra a populacao negra. Isso porque ela, na mentalidade racista, não pode ocupar um lugar de privilégio na sociedade, sendo sempre associada à pobreza, ao tráfico e à malandragem. Dessarte, o discurso de inferioridade racial legitima as ações violentas da polícia contra essas pessoas. Como exemplo disso, o assassinato do menino negro João Pedro de 14 anos, dentro da casa do próprio tio, enquanto brincava com os amigos, sendo que ninguém foi responsabilizado por essa morte.

Em suma, a violência policial contra a população negra no Brasil e no mundo, ocorre principalmente em nações que sao marcadas pelo processo histórico de escravidão, pois permitiu, além de que essas pessoas permanecessem em situação de grande vulnerabilidade até os dias atuais, também o racismo estrutural que inferioriza esses indivíduos quanto aos papeis sociais. Portanto, é necessário que o Estado indenize adequadamente essas pessoas por causa dessa dívida histórica, fornecendo acesso à cidadania plena por meio de políticas públicas de inclusão, como por exemplo, moradia, saúde e educação de qualidade e cotas para universidades e empregos, a fim de que, com tais ações, a sociedade como um todo repare essa dívida histórica, conseguindo assim, equidade racial.