Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 03/09/2021

Consoante às concepções do sociólogo francês Michel Foucault, em sua obra “Corpo e Poder”, há uma disciplinarização dos comportamentos que se traduz na exclusão de corpos desviantes. Nesse sentido, percebe-se que a classe dominante fomentou a segregação dos negros, o que resultou na violência policial contra eles no Brasil e no mundo. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.

Diante desse cenário deletério, cabe salientar a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, na obra Utopia, de Thomas More, é retratado um governo que cria ladrões para depois puni-los. Analogamente a essa teoria desumana, o Ministério da Cidadania tornou-se uma corporação discriminatória, dado que não apresenta êxito perante as ações públicas que ajudem a reverter o passado histórico da aglomeração de escravos e negros à mercê da miséria social e econômica nas favelas. Isso é perceptível, lamentavelmente, porque essas pessoas são as que mais sofrem violência policial devido ao local onde moram, caracterizado por ser formado por pessoas de pele escura, e que são, frequentemente, estigmatizadas como ladrões. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam esse legado histórico e cerceia, desde a abolição escravocrata, os negros a uma realidade de violência policial e segregação socioespacial.

Além dessa mácula governamental, também são preocupantes a ignorância social no mundo. De certo, mediante os dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teoria e a realidade, haja vista que a sociedade normalizou, desde a época do Imperialismo Europeu sobre a África, o pensamento de que pessoas de pele escura tendem a ser criminosas, o que gerou frutos como um corpo social marcado pelo racismo estrutural. Esse fato é demonstrado, principalmente, por dados da empresa Google, os quais afirmam que ao pesquisar nomes comuns entre negros dos Estados Unidos, a chance de os anúncios automáticos oferecerem checagem de antecedentes criminais aumentam em 25%. Isso posto, depreende-se que enquanto a sociedade for inerte, o racismo estrutural perpetuará a violência policial contra negros no mundo.

Assim, a Organização das Nações Unidas (ONU) deve promover campanhas informacionais para desconstruir a herança histórico-cultural de racismo estrutural, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs no Instagram e no Facebook, a fim de fazer com que o corpo social desenvolva uma empatia pela luta dos negros contra essa ótica de violência policial infundada. Espera-se, com isso, que a teoria de Foucault não se perdure na contemporaneidade.