Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 08/09/2021

Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno”, por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hodiernamente, ao se deparar com os diversos casos de violência policial contra a comunidade preta no Brasil e no mundo, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que esse entrave precisa ser mitigado, pois ele deturpa o bem-estar coletivo, além de evidenciar um panorama excruciante, o qual reflete o racismo enraizado na sociedade. Portanto, é mister assentir que a influência do legado histórico-cultural, adjunto ao descaso do Governo perante essa realidade aflitiva, favorecem a cristalização desse imbróglio no meio social.

Em primeira instância, é fulcral anuir que o panorama contemporâneo, o qual deixa explícito o preconceito racial, ao evidenciar a violência policial contra os negros, é fruto da influência do legado histórico-cultural sobre as ações dos indivíduos, haja vista que, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, os comportamentos característicos de uma determinada época são naturalizados e, consequentemente, reproduzidos ao longo das gerações. Nesse sentido, é verídico que as concepções preconceituosas sobre a comunidade preta, motivou o aumento da perseguição e violência a essa minoria social, pois é consolidado uma visão racista, a qual propõe o negro como um ser humano bruto e sinônimo de alguém ruim. Ademais, tal fato é abordado na série americana “Lovecraft Country”, em que é exibido a opressão sofrida pelos negros pelos policiais da época, demonstrando a precária realidade deles.

Em segunda análise, urge ratificar que o Estado se configura como responsável pela situação atual, uma vez que sua postura omissa é o motivo para que o revés tenha se desenvolvido na sociedade. Nesse contexto, é notório que ao não se mobilizar contra o empecilho, o poder público se mostrou complacente com a adversidade, assim causando uma violação a Constituição Federal de 1988, a qual garante a todos os indivíduos igualdade, independente de cor, além de prezar pela harmonia coletiva. Todavia, na prática é visto que esses direitos não são corroborados pelo Governo, deixando visível o descaso desse com a população, logo é pertinente utilizar o conceito de “Instituição Zombi” para nomear essa instituição, pois ela não exerce mais suas funções e, no entanto, mantém a sua forma.

Dessarte, para evitar um cenário semelhante ao do século XVII, o qual era vítima de inúmeras críticas do poeta Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva, promova a criação de campanhas educativas, as quais possam conscientizar os indivíduos, afim de de extinguir as concepções racistas enraizadas no corpo social, mediante uma ampla parceria com os principais meios midiáticos. Desse modo, corroborando com os direitos prometidos na Constituição Federal de 1988, assegurando o bem-estar da comunidade preta.