Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 20/04/2022
Durante a consolidação da escravidão no Brasil, circulou-se a ideia de que os es-cravos africanos seriam mais obedientes e menos suscetíveis a revolta do que os nativos capturados - isto, devido a maior distância entre eles e sua terra natal. A-costumada a essa afirmativa, a sociedade brasileira criou-se em volta da prerroga-tiva de obediência e medo por parte dos negros perante as instituições. Produzin-do, dessa maneira, um meio social estruturado no racismo e fundado na corrobo-ração da violência simbólica, que reflete no surgimento da violência policial.
Em primeira análise, infere-se a importância de analisar o racismo estrutural pre-sente nessa sociedade, sobretudo, devido as raízes históricas entrepostas anterior-mente, perceptível em toda a esfera pública. Nesse sentido, nota-se a predominân-cia desse pensamento em uma das mais importantes instituições do Estado mo-derno: a polícia. Esta, então, única detentora do direito ao uso da força física, é vítima estruturalmente do racismo que coloca como alvo a população negra, a par-tir da ideia imposta nessa instituição de que os negros são propícios a desobedi-ência e devem estar sempre sob vigilância e rigor, que muitas vezes extrapola-se e expõe-se como violência física, já que nela é garantido esse direito da força.
Ademais, porém, evidencia-se uma violência que atinge a população negra antes mesmo da agressão física. Assim, conforme o conceito de violência simbólica do sociólogo Bourdieu, há na sociedade a valorização de uma cultura sobre a outra, em razão do poder destas. Logo, grupos de passados mais fragilizados, como a po-pulação negra, são submetidos as vontades dos dominantes e colocados à margem da sociedade. Além disso, apresenta-se, ainda, a vontade de manter essa relação de dominância que é estabelecida nas instituições de controle como a polícia.
Portanto, é dever do Poder executivo - responsável pelo funcionamento das insti-tuições - diminuir os problemas encontrados em suas forças, através do planeja-mento de recursos necessários para garantir que todas as instituições recebam palestras reflexivas ministradas pelo MEC, em conjunto com grandes pensadores da área. Destarte, os funcionários poderão se conscientizar sobre a influência do racismo estrutural e da violência simbólica, no seu comportamento, sobretudo, a polícia e sua utilização da força física.