Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 19/07/2022

“A melhor definição que posso dar de um homem é a de um ser que se habitua a tudo”. Essa máxima é atribuída a Dostoiévski, escritor do século XIX, e exprime a tendência positiva de adequação humana. Contudo, a habitude se torna um problema quando limita o ser na sua conduta, como o costume às agressões de pretos e pardos nas intervenções policiais. Hodiernamente, a violência policial contra negros no Brasil e no mundo é real e ocorre devido à persistência histórica de pensamentos supremacistas diante da diversidade de pigmentação dos seres.

Nesse viés, há o preconceito racial presente na maioria das ações violentas. Sob esse aspecto, de acordo com a BBC Brasil, os negros correspondem a cerca de 78% das mortes por armas de fogo no país. Desse modo, é perceptível a polarização de vítimas de pele escura. Além disso, nota-se a mobilização da população diante dessa proporção de homicídios, como o movimento “black lives matter” - que repudiou o racismo praticado por policiais norte-americanos no exercício de seus deveres. Com isso, é notório a comoção social diante da injustiça praticada pelo quantitativo de assassinatos. Logo, a insegurança racial é coerente com a realidade.

Em seguida, há o raso senso comum de equidade racial. Nesse sentido, apesar da escravização negra ter acabado a pouco mais de um século no Brasil, em 1888, nota-se a herança de inferioridade que fomenta muitas atitudes na atualidade (como a assimilação de pessoas negras a potenciais criminosos pelos agentes de segurança pública). Assim, a proteção do homem no meio são reverberados pela preconcepção estrutural - conforme o exímio historiador contemporâneo Leandro Karnal. Dessa forma, a igualdade dos indivíduos não é alcançada pela continuidade de uma mentalidade arcaica que ecoa nas gerações presentes.

Portanto, as agressões policiais contra negros é motivada pela permanência de convicções de superioridade. À vista disso, as escolas, instituições que educam os brasileiros, devem debater esse tema em aula; por meio de relatos pessoais; com o convite a agentes de polícia; a fim de dar visibilidade a diferenciação existente e elucidar formas de lidar com esses automatismos herdados. Dessarte, o homem poderá se reabituar ao meio, com jus a uma de suas próprias definições.