Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 27/10/2022
Raimundo Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema positivista “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional, mas também para a nação que, hoje, enfrenta diversos estorvos. Entre eles, a continuidade da violência policial contra os negros representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que a postura resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Nota-se, assim, a necessidade de mudar tal panorama, calcado em uma herança histórica discriminatória e que tem por consequência o fortalecimento do racismo estrutural.
De início, há de se notar a importância desse tema. Segundo dados do Anuário de Segurança Pública, 78% das vítimas da violência policial são negras. Percebe-se, sob esse viés, o preconceito velado, sustentado por pensamentos arcaicos enraizados na sociedade. No Brasil, por exemplo, o legado histórico aponta uma base social pautada na discriminação. No início da república, após a queda do regime escravocrata, a elite optou pela mão de obra europeia, visando, além da segregação dos negros, o embranquecimento populacional. Hodiernamente, apesar da evolução, o contexto permanece, o que evidencia o mito da democracia racial.
Por conseguinte, tal conduta corrobora o racismo estrutural. Na série “Brooklyn 99”, o sargento Jeffords, depois de sofrer uma abordagem violenta, só teve direito à fala quando provou ser da polícia. Não distante da ficção, no entanto, comportamentos como esse reproduzem erroneamente ideias preconcebidas acerca dos negros, as quais corroboram a marginalização desse grupo. Em conformidade com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cor da pele é, decerto, um contribuinte quanto ao índice de desigualdade social.
Portanto, medidas são fundamentais para combater o impasse. Com o intuito de assegurar a igualdade prevista na Constituição, cabe ao Estado, enquanto mantenedor da ordem, garantir, por meio da implementação de cursos de direitos humanos nas academias, a formação de policiais aptos ao exercício da função. Ademais, a mídia deve fomentar campanhas que desmitifiquem preconceitos. Só assim os brasileiros verão o progresso referido na bandeira como realidade.