Violência urbana no Brasil

Enviada em 03/11/2025

O filme “A Cidade de Deus” retrata como o crescimento do crime organizado está ligado à violência urbana, bem como a manutenção da vulnerabilidade das camadas sociais mais baixas. Embora o longa-metragem seja baseado no contexto urbano do Rio de Janeiro nos anos 80, as problemáticas denunciadas ainda persistem nos dias de hoje. Sendo assim, torna-se fulcral estabelecer um debate sobre as origens da violência nas cidades.

Nesse cenário, os conflitos urbanos são atenuados pela “Violência Simbólica” vivida nos subúrbios brasileiros. Segundo a teoria de Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a coerção e a opressão social não acontecem somente com a violência fisíca, mas também por meio de símbolos, isto é, ao criminalizarem o funk - manifestação cultural oriunda das favelas -, há um apagamento de sua importância histórica-cultural para as comunidades. Dessa forma, o Estado, como instrumento de opressão, perpetua à perseguição e a marginalização da população periférica.

Além disso, a violência urbana é fortalecida pela falta de assistencialismo do Poder Público. De acordo com o sociólogo Thomas Marshall, a cidadania é constituída pela junção dos direitos sociais, civis e políticos, ou seja, o cidadão deve possuir e exercer os seus direitos. Todavia, a inexistência de políticas públicas para as comunidades, mantém à realidade amarga da vida em meio ao tráfico e a disputa de territórios, evidenciando a negligência do governo, como no Complexo do Alemão (palco da operação policial mais letal da história do país), por exemplo.

Portanto, é inegável as causas da violência dentro e fora das comunidades brasileiras. Nesse sentido, compete ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, orgão responsável pelo combate ao tráfico de drogas e crimes conexos, a prevenção e o combate de atividades violentas, atráves da defesa jurídica. Ademais, é dever do Ministério da Cultura, propiciar políticas públicas de fomento as manifestações culturais existentes nas periferias. Isso deve ser feito por meio de um “Projeto Nacional de Segurança Cultural”, afinal, é de suma importância haver a inclusão social, e o reconhecimento da identidade das favelas historicamente excluídas e constantemente vítimas da insegurança pública.