Violência urbana no Brasil

Enviada em 07/08/2019

Violência: Dois lados, um culpado

Em seu poema “Favelário Nacional", o poeta brasileiro, Carlos Drummound de Andrade, expõe a realidade da sociedade brasileira no que tange à violência: “Custa ser irmão, custa abandonar nossos privilégios”. Fora da poesia, é fato que a violência se instaura no Brasil por inércia, já que a menos que seja tomada uma ação é difícil abandonar privilégios em detrimento da alteridade. Desse modo, a persistência da violência urbana provém de uma cultura de desdém ético vinda desde a colonização e se assenta pelo déficit em investimentos para sanar tal problemática.

A princípio, entende-se que o Brasil é perpassado por violência desde sua colonização. Segundo o sociólogo, Florestan Fernandes, o país continental sofreu a exploração lusíada de maneira forçada, iniciando sua história com o genocídio de milhões de nativos. Desse forma, dados fornecidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – que revelam que mais de 553 mil brasileiros morreram por morte violenta na última década – não são apenas atuais, já que a violência está enraizada no Brasil desde o século XV, somente deixou de ser praticada pelas classes dominantes após elas conquistarem o que almejavam.

Além disso, reconhece-se como a defasagem em infraestruturas básicas auxilia, de maneira enfática, a ampliar o panorama da violência urbana. Acerca disso, é indiscutível rememorar o discurso de Karl Marx, que em seu livro “Manifesto Comunista", denuncia que a persistência de entraves sociais se assenta na existência de desigualdades econômicas. Logo, é inexorável perceber que a falta de educação adequada e até mesmo de condições básicas de alimentação e saneamento básico às classes mais baixas são agravantes para que essas entrem na vida do crime. Dessa maneira, aqueles que gozam dos privilégios da burguesia não entendem que a a fome e a miséria falam mais alto, muitas vezes, que as próprias leis.

Destarte, é mister que medidas sejam tomadas para dirimir esse impasse. Para tanto, faz-se necessário que o Ministério da Família, com auxílio de empresários altruístas, ofereça aportes educacionais e alimentares, por meio verbas públicas e privadas, que visem sanar a desigualdade existente entre as classes altas e aqueles que vivem na miséria. Com isso, é passível de concepção um mundo menos violento, onde as leis possam vigorar mais que a pobreza e repressão e a criminalidade sejam apenas alvos de estudo da História.