Violência urbana no Brasil

Enviada em 10/08/2019

Brasil desgovernado

“Não há caminhos para a paz, a paz é o caminho.” A máxima do pacifista indiano Mahatma Gandhi conduz a uma reflexão sobre o atual contexto brasileiro de violência urbana. É preocupante o aumento na taxa de homicídios para 31,6 mortes a cada 100 mil habitantes, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Sendo assim, se faz necessário apontar e analisar as causas e os efeitos desse problema, entre as quais se destacam a desigualdade social e a ineficiência governamental no âmbito da segurança pública.

Em primeiro plano, a evidente negligência do Estado no combate aos problemas de segurança pública é uma das raízes da questão da violência no país. De acordo com o pensador inglês Thomas Hobbes, governante e governado têm uma relação contratual, de modo que os indivíduos consentem se subordinar ao primeiro em troca da proteção que esse lhe oferece. Entretanto, em virtude da falta de perspectivas de estudo e trabalho, especialmente entre a camada mais pobre da sociedade, parte dessas pessoas são levadas a encontrar na criminalidade uma forma de sustento. Por conseguinte, com os altos índices de violência e crimes constata-se o rompimento do contrato social por falha do soberano em cumprir sua parte.

De outra parte, são inegáveis os impactos dessa hostilidade na saúde física e mental da população. Vive-se em uma sociedade pautada pelo medo, consequentemente muitos deixam de frequentar determinados lugares, preocupados com sua segurança. De modo mais intenso, isso pode afetar a sanidade mental e evoluir para crises de pânico, por exemplo. Dessa forma, a saúde pública sofre com a sobrecarga de casos relacionados ao contexto violento vigente, o qual se comprova pelos números do Ministério da Saúde que indicam cerca de 780 mil casos notificados de violência entre 2015 e 2017.

Urge, portanto, redirecionar esforços no sentido de encarar a problemática da violência nas cidades brasileiras. Destarte, cabe às organizações não governamentais (ONGs), como o Centro Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular (CDHEP), estruturar projetos voltados para a profissionalização, educação e lazer em periferias se áreas de vulnerabilidade socia, com intuito de oferecer oportunidades e, assim, minimizar os efeitos da desigualdade social. Compete, ainda, ao Ministério da Educação, promover campanhas educativas em escolas para estimular a cultura de paz e da não-violência, por meio de atividades tais como as que abordam valores e direitos humanos e mediação de conflitos. Com essas medidas, espera-se finalmente colocar o Brasil no caminho de paz.