Violência urbana no Brasil

Enviada em 19/08/2019

Sob a perspectiva da socióloga Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Nessa circunstância, tal conduta é potencializada no cenário hodierno, uma vez que a violência urbana, no Brasil, tem apresentado constante crescimento, e, devido a naturalização dessa problemática são ínfimos os investimentos governamentais para inibir essa situação. Dessa forma, faz-se profícuo analisar tal panorama, intrinsecamente ligado ao descaso governamental frente esse quadro bem como aspectos socioeconômicos.

A partir do conceito de contrato social, Thomas Hobbes defende que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Nesse ínterim, é notável que o poder público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, como o acesso à segurança para todos, assim, a ausência de soluções para amenizar essa situação é um fator determinante para a permanência desse ato. Aliás, frusta constatar que em vez de buscarem eliminar essa imprudência, as políticas públicas têm favorecido a continuidade dela, tais fatos se refletem na falta de investimento em segurança pública. Essa realidade preocupa, pois além de comprometer a integridade da vida em sociedade, viabiliza o aumento da criminalidade.

Outrossim, como bem ilustrou Zygmunt Bauman em sua concepção de “modernidade líquida” , as relações sociais estão cada vez mais maleáveis e superficiais. Um exemplo disso é a relação social para os considerados “marginalizados”, pois além do preconceito enraizado sobre uma padronização da pobreza, existe a negligência governamental em diminuir as desigualdades sociais, o que revela também que a liquidez das relações não se mantém apenas entre indivíduos, mas também nas instituições que regem a sociedade. Ademais, sem suporte e oportunidades, os casos de violência nos centros urbanos acabam por aumentar, isso, corrobora com a perpetuação do problema.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário amenizar esse cenário de violência. Logo, cabe as secretarias municipais em parceria com MEC, realizar um projeto de inclusão para a população marginalizada socialmente, em que sejam fornecidos cursos técnicos nas comunidades locais voltados para a instrução e inserção no mercado de trabalho, a fim de que o suporte financeiro seja estabelecido em todas as realidades. Paralelamente, cabe aos meios midiáticos complementar essa ação, estimulando em campanhas televisivas de orientação para que os indivíduos participem dessas ações governamentais, além de incentivar a empatia social na propagando proposta . Dessa forma, será possível reverter a teoria proposta por Hannah Arendt.