Violência urbana no Brasil
Enviada em 13/08/2019
O clássico livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, apresenta a temática da violência urbana por meio de crianças que encontravam no crime seu meio de subsistência. Hoje, mais de 70 anos após a publicação do livro, ainda convivemos com o medo nas ruas e com jovens sendo aliciados pelo crime. Para compreendermos e podermos solucionar tal problemática, precisamos evocar as raízes históricas da violência urbana e perceber as razões da ineficiência policial no combate às transgressões.
De acordo com o Atlas da Violência de 2018, o Brasil teve 30 vezes mais homicídios do que toda a Europa. As origens de tal dado, contudo, são muio anteriores a este século. A escravidão foi oficialmente abolida em 1888, porém, podemos sentir seus impactos até hoje. Ao não garantir aos negros recém-libertos sua integração na sociedade, o governo da época contribuiu para marginalizá-los em morros e favelas, aumentando a pobreza e a desigualdade social. Esses fatores, aliados à falta de perspectiva, como relatado de forma explícita por Carolina M. de Jesus em seu diário “Quarto de Despejo”, são “prato cheio” para a adesão à criminalidade.
Outrossim, a ineficiência e o despreparo da polícia brasileira configura outro fator importante para a violência urbana. Conhecida por sua hostilidade, a polícia brasileira foi considerada a que mais mata no mundo, segundo relatório da Anistia Internacional e da Human Rights Watch no início deste ano. Ademais, segundo levantamento divulgado pelo jornal O Globo, 20% dos denunciados por crime organizado no Rio de Janeiro eram policiais. Se a polícia não é confiável, certamente a problemática do crime não será resolvida.
Segundo o educador brasileiro Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sendo assim, o Governo Federal deve investir na educação básica, garantindo aos jovens oportunidades através da educação. Ademais, o MEC deve pôr em prática o programa “Vestibular Social”, com o objetivo de preparar os jovens em situação de vulnerabilidade para os exames de ingresso nas universidades, oferecendo assim uma opção além do crime. Além disso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública deve oferecer programas de treinamento aos policiais, visando torná-los mais eficientes e confiáveis em suas funções.