Violência urbana no Brasil

Enviada em 13/08/2019

Andar pelo calçadão de Ipanema atualmente, com olhar atento aos arredores e à movimentação das pessoas, traz um interessante questionamento: será que se Tom Jobim fosse contemporâneo desse Brasil dos homicidas, teria a mesma inspiração para escrever tão poética e bucólica música como “Garota de Ipanema” ao sentar-se em um banco na praia, ou levantaria apressado, rumando de volta para casa, com medo de permanecer ali? Afinal, a Cidade Maravilhosa foi palco da primeira aplicação do dispositivo da Constituição de Federal de 1988 que dispõe sobre a possibilidade de Intervenção Militar em casos de crise de segurança pública.

A execução deste aparato constitucional representa o ápice de um Brasil assolado pela violência urbana, que cresce movida pelo aparentemente interminável combustível que é o ciclo vicioso da cultura da violência e da impunidade.

No país, tem-se uma gama gigante de motivos para a violência: o preconceito - étnico, sexual, socioeconômico; as drogas - as disputas pelo controle e permanência de seu comércio e a cobrança de dívidas; o ego; a vontade de ascender em uma sociedade tão desigual. Aqui, está vivíssima a cultura da violência.

Cultura tal, que, em outros casos, é diluída com punições e repressões que criam a consciência coletiva de que “a violência não compensa”. Entretanto, diversos dos mecanismos de contra incentivos são corrompidos no país. Sejam políticos, seja a própria polícia - que, por vezes, não somente falha em contribuir para o fim, como acaba fomentando a cultura da violência ou até a mídia, que, obstinada por atenção, dissemina apenas o que faz os olhos dos telespectadores se abrirem, o que, muitas vezes, é, em si, violento e promove pensamentos e emoções tóxicas. Um país no qual as culturas da violência e impunidade andam e crescem juntas dificilmente escapará de assustadores resultados nos índices de criminalidade.

Em resumo: a criminalidade urbana no Brasil é uma questão multifatorial. Portanto, o melhor jeito de diluir a cultura da violência e impunidade que paira é “dividir e atacar”. Movimentos sociais mantendo-se nas lutas contra a discriminação; governo tomando consciência de que o modelo atual de guerra às drogas é falho e revisá-lo; ONGs externas atuando junto com o governo para sindicância das corporações policiais e um pouco mais de controle sobre o que é veiculado nos televisores dos brasileiros são medidas que exemplificam a estratégia.