Violência urbana no Brasil

Enviada em 25/08/2019

No livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, é retratado a origem de jovens infratores que promovem a violência urbana de Salvador. Ao comparar o romance com a atual situação brasileira, nota-se, infelizmente, semelhanças com relação à problemática abordada. Nesse sentido, entender as causas desse processo para combater determinadas posturas é fundamental para a construção de um país melhor e mais democrático.

Em primeira análise, torna-se evidente que a gênese da problemática, assim como na obra, é a desigualdade social recorrente no país. Fato é que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, estados como Alagoas e Maranhão têm os menores índices de Desenvolvimento Humano, e consequentemente as maiores taxas de violência. Em contrapartida, países com alto IDH possuem baixas taxas de homicídios. Exemplo disso é a Noruega, na qual a diferença salarial é ínfima, e a violência urbana tende a ser inexistente.

Ademais, vale ressaltar como principais agentes que potencializam o impasse: a crise do sistema penitenciário e a desvalorização da educação pública do país. De acordo com o Ministério da Justiça, cerca de 75% dos presos voltam a cometer crimes quando adquirem a liberdade, o que prova o despreparo dos governantes no que se refere à reabilitação do indivíduo na sociedade. Outrossim, a educação brasileira, por falta de estruturas acadêmicas necessárias para um bom ensinamento, falha como mecanismo de inclusão, e amplia o cenário já propício da violência urbana, fato é que a maioria dos presidiários não tiveram a formação escolar concluída, prova disso é a superlotação de celas comuns comparado com celas especiais (destinadas aos infratores com ensino superior completo).

Desta forma, torna-se evidente a necessidade da resolução do problema. Portanto, os governadores de cada estado devem destinar verbas para a melhoria da infraestrutura das instituições de ensino das periferias, com o objetivo de torna-las mais atrativas e diminuir a evasão escolar, para que assim a educação pública atue de forma efetiva na diminuição da criminalidade em locais que de fato há maior necessidade. Além disso, o Ministério da Justiça deve trabalhar na realização de projetos que promovam a ressocialização de ex-presidiário, como por exemplo a realização de trabalhos durante as penas para adquiram experiência. E por último, os governantes das federações com baixo IDH devem promover ações afirmativas com o intuito de promover equidade entre os cidadãos. Desta forma, a violência tenderá a diminuir e o país se tornará mais justo, para que as obras como a do Jorge Amado seja apenas ficção e não um comparativo para com a realidade.