Violência urbana no Brasil

Enviada em 02/09/2019

Os atos de cunho violento eram vistos, no período medieval, como prestigiosos e amostras de poder. Isso gerou a internalização de tais comportamentos nas sociedades. Embora a contemporaneidade tenha trazido os direitos humanos, a violência é recorrente no Brasil, em especial no meio urbano, o que acarreta consequências prejudiciais à sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, ao examinar as raízes sócio-históricas do país, vê-se que a colonização, desde os seus primórdios, promoveu discriminações de toda ordem, a escassez de diálogo e empatia nas relações sociais e a marginalização de etnias, a exemplo dos negros e índios. Por conseguinte, com o passar dos séculos, foram consolidados no Brasil a cultura do ódio e as altas taxas de desigualdade social. Esses últimos desdobram-se em manifestações de violência: assaltos, agressões físicas e verbais e assassinatos; além dos diversos tipos de preconceito: racismo, LGBTfobia, machismo e xenofobia. Nesse sentido, observa-se o sentimento de medo e terror por boa parte da população em frequentar os meios urbanos, em especial das grandes cidades.

Sob o mesmo viés, destaca-se como grande fator das altas taxas de violência urbana no Brasil a dificuldade do Estado em promover educação e segurança qualitativas. A educação mostra-se díspar e excludente, pelo fato de não abranger, com homogeneidade, todas as camadas sociais, em especial as mais carentes de recursos. Cabe citar, como causas dessa situação, a escassez de transporte de qualidade e má infraestrutura das escolas, principalmente nas periferias urbanas, além da desvalorização dos professores. Dessa maneira, as taxas de evasão escolar tornam-se expressivas, ao passo que o ingresso no mundo da criminalidade é intensificado, o que proporciona ao meio urbano cada vez mais violência e crimes. Outrossim, a segurança revela-se escassa e pouco capaz de combater as mazelas da hostilidade urbana, por causa da má remuneração, desvalorização e ineficaz treinamento e capacitação dos profissionais responsáveis, principalmente os policiais. Em vista disso, torna-se árdua a luta contra tal problemática.

Portanto, de acordo com os aspectos analisados, são necessárias medidas que visem a resolução do impasse da violência urbana no Brasil. Cabe ao Poder Executivo junto ao Ministério da Educação a promoção de uma educação inclusiva e combate ao ódio e intolerância, por meio da melhoria do sistema de transportes urbanos e da infraestrutura das escolas, valorização dos profissionais da educação e debates e palestras sobre a necessidade de estimular o diálogo, empatia e respeito, a fim de diminuir a evasão escolar e a desigualdade social. Ademais, é indispensável a capacitação e melhor remuneração dos profissionais da segurança. Desse modo, o meio urbano tornar-se-á mais seguro.