Violência urbana no Brasil

Enviada em 11/09/2019

De acordo com o artigo primeiro da Constituição de 1988, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é a dignidade humana. Entretanto, com o aumento dos casos de violência urbana registrados, cerca de 60.000 casos, conforme pesquisa divulgada pelo IPEA em 2019, o país apresenta graves falhas para garantir a qualidade de vida do cidadão. Nesse sentido, nota-se que a ineficácia do Estado e a falta de preparo dos profissionais influenciam para que o combate à violência seja dificultada. Logo, é necessário adotar medidas eficazes para reverter tal situação.

De início, é inegável que a negligência estatal colabora para complexidade de resolução do imbróglio. Nesse contexto, segundo John Locke, o Estado é responsável por garantir e proteger os direitos dos cidadãos, como à vida e à liberdade. Contudo, nota-se a ineficiência do governo brasileiro de assegurar os direitos à liberdade, uma vez que a sociedade não recebe investimentos básicos que desestimulem parte da população no ingresso no crime organizado. De modo que a população carente torna-se mais vulnerável à violência, haja vista que com a falta de oportunidades o cidadão encontra no mundo do crime a alternativa mais fácil de conseguir alguma verba para tentar ascensão financeira, como no roubo ou em furtos de objetos para vendas posteriores.

Outrossim, cabe abordar o despreparo dos profissionais de segurança no país. Nesse contexto, conforme pesquisa divulgada pelo portal G1, em abril de 2019, presencia-se o aumento de 18% do número de casos de mortes causados pelos policiais. Sob tal ótica, verifica-se que há uma falta de preparo dos profissionais, visto que os treinamentos da polícia no Brasil são focados na força física e não em estratégias de inteligência, tais como pesquisas e mapeamentos dos principais grupos violentos das cidades. Como reflexo disso, os profissionais sentem-se pressionados para sempre agir de forma brusca e violenta e, dessa forma, as ações ocorrem somente no momento dos crimes e, com isso, o ciclo de violência não apresenta esperança de diminuição.

Fica evidente, portanto, que ações são necessárias para modificar tal panorama. Para que isso ocorra, cabe ao Poder Executivo investir na segurança e na educação. Tal ação deve ocorrer por meio da capacitação de profissionais de segurança, como a criação de centros de inteligência com o mapeamento das zonas de confrontos das cidades e os possíveis criminosos. Além disso, a população deve receber investimentos na educação para que o homem seja estimulado à estudar e desejar a carreira profissional à criminalidade. Espera-se com isso, que a violência diminua com a atuação eficaz da polícia e a população em busca de futuros promissores. Afinal, somente assim haverá respeito ao dispositivo constitucional e será honrado os direitos de todos os cidadãos.