Violência urbana no Brasil
Enviada em 12/09/2019
“Muita pobreza, estoura a violência…/Nossa raça está morrendo mais cedo…”. A canção “periferia é periferia” do grupo Racionais Mc’s retrata uma das maiores mazelas sociais do Brasil: a violência urbana. Essa tem instaurado uma guerra que tem como principais atores a desigualdade socioeconômica, associada à marginalização de determinadas camadas, e a falta de políticas de segurança eficazes, tornando-se uma problemática que afeta a toda a sociedade.
Em primeiro plano, é necessário entender a formação e o crescimento da violência no Brasil. “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”. Essa afirmativa do filósofo Pitágoras ilustra a forma ideal para se garantir a segurança, mas que, lamentavelmente, não tem sido priorizada pela União. A esse respeito, destaca-se como milhares de crianças, principalmente as moradoras de favela, crescem em um ambiente hostil, sujeitas à violência doméstica, comunitária e institucional, sem acesso a uma educação de qualidade. Essa conjuntura favorece o desenvolvimento de indivíduos que, por não se sentirem parte da sociedade, são capazes de recorrer a meios ilegais para enriquecer ou simplesmente, sobreviver.
Ademais, a ineficiência do sistema de segurança pública em paralelo ao crescimento do crime organizado agravam ainda mais a situação. O Monitor da Violência, projeto do Núcleo de Estudos da Violência da USP e do Fórum de Segurança Pública, registrou mais de 50 mil homicídios no último ano. Esse número é tão expressivo graças à impunidade crescente no Brasil, já que, apesar da superlotação dos presídios e também em razão dela, cerca de 70% dos presos que são soltos voltam a cometer crimes, segundo o Atlas da Violência. Tal despreparo da polícia, aliado ao controle do crime pelas facções, geram o aumento do medo e da descrença no poder público entre a população.
Entende-se, portanto, que ações por parte dos diversos setores da sociedade são urgentes para combater a guerra nas ruas. Para isso, o Ministério da Educação e da Cultura deve estabelecer projetos que foquem na criação de oportunidades às crianças de comunidades carentes, no que se refere a escolas com boa infraestrutura e acesso a cultura, lazer e arte. Isso deve ser feito por meio de um maior direcionamento de verbas às prefeituras municipais, que podem agir de forma mais precisa nos problemas locais e, principalmente, da revogação da PEC 241, que limita os gastos em educação. Tal mobilização, junto a maiores investimentos em uma polícia de investigação inteligente, poderá controlar a violência e diminuir as mortes precoces no Brasil.