Violência urbana no Brasil

Enviada em 11/10/2019

O filme “Coringa” tem como tema subjacente a violência na megalópole de Nova Iorque, na década de 80, que serve de estopim para a loucura de Arthur Fleck. Sob essa mesma óptica, a violência nas cidades do Brasil, dentre outros fatores, oriunda da dissolução de valores morais, também tem se mostrado capaz de lesar a pessoa humana em âmbito psicológico, demandando, dessarte, esforço da sociedade e do Poder Executivo para encontrar meios de superá-la e criar uma cultura de paz.

Primeiramente, em 2016, dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), demonstraram ter ocorrido mais de 60.000 homicídios no pais. Entretanto, tal constatação, por si, não mapeia outros problemas, como assaltos, agressões diversas, sequestros e tráfico de drogas, que também compõem o cenário da violência urbana. Somado a isso, existe uma questão de saúde pública, pois, com o aumento de criminalidade, quadros de estresse pós-traumático, síndrome do pânico, ansiedade e depressão, comumente se desenvolvem nas vítimas de crime, desde a mais tenra idade. Acerca disso, o professor Charles Nelson, da Universidade de Harvard, afirma que, até mesmo crianças, ao testemunhar, constantemente, situações extremas, como o tráfico e suas implicações nas favelas do Rio de Janeiro, têm seu desenvolvimento intelectual e mental prejudicado, exigindo, posteriormente, tratamento especializado devido a seu quadro clínico debilitado.

Todavia, as causas da violência devem ser também tratadas, eliminando o problema em sua raiz. De acordo com Bauman, a modernidade é caracterizada pela “liquidez” de seus valores, na qual eles podem ser distorcidos pela conveniência de intenções egoístas e desumanas. Desse modo, para o então cardeal Joseph Ratzinger, sistemas como o nazismo, têm o relativismo- um dos sintomas dessa liquidez moral- como fator chave, haja vista que ele coloca em risco quaisquer princípios, desde que se alcance a realização do que se almeja. Com isso, a limpeza étnica seria plausível, uma vez que garantiria a sociedade de raça ariana, bem como, o assalto, sob ameaças à vítima, para se obter bens e dinheiro ou o estupro para mostrar dominância.

Portanto, fica patente que a situação de segurança pública, nos centros urbanos, é uma um fator de desgaste psíquico, cuja a gênese são as escolhas e o caráter de quem age criminosamente. Logo, cabe ao Ministério da Educação e Cultura atuar em projetos que orientem, desde a infância, a pessoa a pensar na integridade ética de suas escolhas, pensando em si e no bem comum, evitando fatores de risco que as envolvem no crime. Tais projetos devem desenvolver-se junto à família e a comunidade, tendo recursos financeiros públicos e a assistência de psicólogos e profissionais afins. Assim, será possível nascer um pais oposto ao de Arthur Fleck, que, de vítima sem sanidade, fez-se psicopata.