Violência urbana no Brasil

Enviada em 15/10/2019

Em sua obra ’’ Vigiar e Punir’’, o pensador Michel Foucault demonstrou como, ao longo da história, as sociedades ocidentais tornavam as condenações dos criminosos e infratores num espetáculo. Evidentemente, hoje, as formas de punições são outras, como o cárcere. Contudo, a mudança desse tratamento não solucionou um dos maiores desafios brasileiros: as de violência urbana. Desse modo, não é razoável que esse cenário seja tratado com indiferença. Nesse sentido, urge a análise das principais causas dessa problemática.

A priori, a desigualdade social é a principal fonte de atos violentos. O Milagre econômico, ocorrido durante a Ditadura Militar, ficou conhecido dessa forma devido ao elevado crescimento econômico alcançado no Brasil. Entretanto, esse desenvolvimento não se sustentou por muito tempo, colapsando na década de 80, comprometendo as camadas mais carentes. Esses fatos históricos culminaram na disparidade socioeconômica existente no país. Com isso, indivíduos pobres têm contato com a riqueza, gerando-lhes um sentimento de privação, por não possuírem as mesmas oportunidades e bens. Assim, muitos desses procuram meios ilegais de ascenderem financeiramente, como o o envolvimento com o tráfico de drogas, assaltos e latrocínios. Em resumo, a pobreza relativa propicia a ocorrência de delitos violentos.

Em adicional, é vigente o despreparo policial no combate e prevenção ao crime. De acordo com a teoria contratualista do filósofo Thomas Hobbes, os indivíduos renunciam sua plena liberdade, concedendo ao Estado o controle sobre da população. Em troca, esse deve proteger o cidadão, promovendo a paz e a ordem. Todavia, a realidade está longe desse ideal, tendo em vista que instituições policiais, os braços governamentais de segurança, intervém inadequadamente. Tal fato exemplifica-se pelos números alarmantes de assassinatos de policiais, e homicídios cometidos por eles próprios, sendo ambos algozes e vítimas. Por certo, essa deve-se aos baixos salários e às condições precárias de trabalho desse ofício. Em suma, essa insuficiência corrobora em uma cidade mais perigosa.

Portanto, cabe faz-se necessária a atenuação desse nocivo quadro de violência. Cabe ao Ministério da Segurança haja vista sua responsabilidade em dedicar verbas à esta área assegurar uma qualidade no trabalho de oficial da segurança, por meio do aumento do teto salarial da classe policial, e uma melhor capacitação dessa nas academias de formação. Visa-se, por conseguinte, garantir a segurança da população. Ademais, o Governo deve aumentar os investimentos em políticas assistencialistas como o Bolsa Família. Porventura, vigiar e punir tornarão-se medidas obsoletas.