Violência urbana no Brasil

Enviada em 16/10/2019

“Uma noite de Crime” é um filme que retrata a legalização de qualquer tipo de crime uma vez por ano durante 12 horas. Ao contrário da obra ficcional, a população brasileira está envolvida durante todo momento em uma onda de violência urbana, a qual possuí origem histórica e conta com o descaso das instituições públicas. Diante da problemática exposta, cabe a análise das causas e efeitos do colapso social em que a sociedade brasileira é refém, além de buscar medidas resolutivas adequadas ao mundo contemporâneo.

A priori, deve-se ressaltar que a violência e suas nuances fazem parte de uma marca histórico-cultural do país. Segundo o sociólogo Florestan Fernandez, a construção da sociedade brasileira, desde os tempos coloniais, é baseada no exercício de cerceamento, como forma de manter uma hierarquia social em prol de uma parcela abastada da população. Desta forma, essa sociedade historicamente estratificada, explica o motivo pelo qual, crimes exercidos sobre comunidades que vivem à margem da vulnerabilidade social, não geram espanto na população, visto que, desfechos sem punições nestes casos são perpetuados desde que o primeiro representante da Coroa Portuguesa chegou ao país.

Outrossim, no Brasil o número de mortes decorridas do combate à violência urbana é maior do que os gerados por ela, e vem aumentando com a exclusão social. De acordo com o filósofo Michel Foucalt, o objetivo das instituições não é a defesa da população, mas sim criar mecanismos que permitam o exercício de poder sobre ela. Deste modo, é possível desmascarar a contraditória política de combate à violência urbana, que mata o indivíduo para evitar que ele gere violência, sendo que, essa prática tornou-se mais frequente com a urbanização e o aumentou das tensões entre grupos sociais. Neste sentido a repressão não é contra a criminalidade, mas contra pessoas, entretanto, o alvo é bem definido e tem viés social, visto que, as maiores vítimas estão na camada pobre da população.

Portanto, torna-se evidente que melhorias ao combate à violência urbana são necessárias. Compete ao Poder Executivo investir na criação de meios de inclusão que acabem com esse cerceamento histórico, oferecendo acesso à população vulnerável a serviços sociais de atenção e acompanhamento, além de estimular a participação da sociedade nos conselhos municipais de segurança. Deste modo, será possível garantir que, de fato, ocorra uma diminuição da violência. Evitando desta forma, um mundo em que haja a legalização da criminalidade.