Violência urbana no Brasil

Enviada em 18/10/2019

Na obra “Capitães de Areia”, do escritor brasileiro Jorge Amado, as crianças e adolescentes representadas são, na maioria das vezes, órfãs e se juntam para sobreviverem à situação precária em que se encontram. A falta da família, da escola e de oportunidades as submetem ao ingresso no mundo dos crimes e da violência, que como no caso do personagem Volta Seca acaba se tornando fatal. Analogamente a ficção, o Brasil se encontra em um cenário onde a violência urbana é uma realidade expressiva, na qual centenas de brasileiros perdem suas vidas diariamente. Na maioria das vezes, como no caso de Volta Seca, esse fenômeno advém de estruturas socioeconômicas e trazem graves consequências, não somente individuais, mas para toda a sociedade.

A princípio é importante ressaltar que, muitas vezes, as vítimas dessa problemática já sofrem desde a infância, mas com uma espécie de violência simbólica que, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu é aquela na qual a vítima não possui consciência de que está sofrendo. Haja vista que, a falta de estrutura familiar, a carência de acesso educação, saúde e moradia de qualidade geram uma situação desfavorável para o surgimento de oportunidades de ascensão social ao indivíduo. Consequentemente, esse pode acabar ingressando no mundo dos crimes e da violência. Por conseguinte, esses fatores geram graves efeitos em inúmeras esferas.

Evidentemente, a perda humana, no caso das vítimas fatais, é extremamente negativa, contudo, as consequências na economia também são expressivas. Uma vez que, de acordo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mais de metade das mortes de jovens são violentas, demonstrando que essa é uma faixa etária bastante vitimada por esta problemática. Tal fato, gera uma queda nos números da população economicamente ativa, tornando o Brasil deficitário com relação à força de trabalho. Ademais, o aumento da violência ocasiona em mais gastos com a saúde pública, já que muitas das vítimas necessitam de tratamento médico.

Portanto, para atenuar as mazelas causadas pela violência urbana, é necessário que algumas medidas sejam tomadas. Cabe ao Ministério da Economia investir na expansão de programas como bolsa família, por meio da ampliação de seus benefícios, como a disponibilização de um maior auxílio financeiro, visando reduzir a desigualdade social. Além disso, o Ministério da Cidadania, juntamente as ONGs, devem realizar projetos sociais com jovens em situações vulneráveis, por meio de oficinas profissionalizantes, por exemplo, para garantirem melhores oportunidades a esses indivíduos e, consequentemente, os afastar da violência. Desse modo, é possível proporcionar futuros diferentes do de Volta Seca para a juventude brasileira.