Violência urbana no Brasil
Enviada em 18/10/2019
A produção cinematográfica intitulada “Cidade de Deus” ilustra uma das principais realidades enfrentadas pela sociedade brasileira da pós-modernidade: violência urbana. Essa problemática aflige a efetivação da cidadania, configurando-se como um desafio a ser superado, na medida em que é resultado - em parte - do mal planejado crescimento urbano e, além disso, se expressa de forma variada e sobre grupos específicos.
De certo, a violência surge como consequência de um ineficaz projeto de urbanização. Para tanto, cita-se que o crescimento urbano dos principais centros do país se efetivou com o início da industrialização, a qual propiciou o êxodo rural. Esse, por sua vez, ocorreu em descompasso com o planejamento urbano, na medida em que não se efetivaram ampliações/melhorias eficazes nas redes de educação, saúde e segurança, marginalizando os indivíduos do desenvolvimento. Em decorrência disso, tornam-se comuns os constantes casos de violência e insegurança deflagrados nas favelas e comunidades do país, traçando um paralelo entre a ficção de 2002 e a realidade atual.
Não somente isso, a violência urbana se expressa de forma variada e com prevalência sobre grupos específicos. De acordo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), ao menos 70% dos homicídios cometidos no país vitimam negros e pardos. Essa realidade, quando associada à violência física e sexual sobre mulheres, além da efetivada sobre moradores de rua, ilustra a variedade de formas na qual se expressa a violência urbana no Brasil, expressando a necessidade por políticas públicas que assegurem proteção a população, principalmente esses grupos prioritários da violência.
Fica evidente, portanto, que a violência urbana no Brasil é variada e possui causas associadas à falta de planejamento urbano. Para efeito em médio prazo, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, deve efetivar investimentos na rede de ensino, a partir da ampliação de prédios escolares, principalmente em comunidades e favelas, e pela inserção de profissionais, como professores, psicólogos e assistentes sociais. Em curto prazo, o governo deve priorizar investimentos sobre a segurança, por meio da ampliação do policiamento, bem como efetivar/ampliar políticas públicas que assegurem a proteção do indivíduo, principalmente mulheres e negros, buscando reconfigurar a realidade e deixar a trama como ficção de uma época superada.