Violência urbana no Brasil
Enviada em 21/10/2019
Abandonados, pelos únicos detentores de recursos, os outros personagens da série 3%, da Netflix, são, diariamente, vítimas de violência urbana, cometidas por seus concidadãos, as quais recorrem à agressão física, para obter itens essências à sobrevivência, tais como: alimentos, água potável, remédios ou roupas. Apesar de ser ficção, a série é um espelho da sociedade brasileira, a qual por negligência da esfera pública para com fatores históricos socioeconômicos, tais como racismo e desigual concentração de renda, apresenta um registro, exorbitante, de número de mortes que reflete a iniquidade social, a qual é intensificada, pelo modo de vida individualista, do meio urbano. Neste contexto, é imprescindível discutir como e por quê ocorre a perpetuação da negligência para com a injustiça social, a fim de que a violência urbana seja minimizada.
Antes de tudo, é preciso ressaltar que a banalização da histórica desigualdade social pela esfera pública, por meio da inferiorização: de matérias como História, Filosofia e Sociologia; de cuidados com os museus, causa, por exemplo do incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018; fada o país, a cometer os mesmos erros, por não relembrar e analisar o quão é, extremamente, desumano a herança que a escravidão, a qual humilhava o negro, por tratá-lo como um objeto, deixou ao Brasil. Sob esta ótica, o escritor Machado de Assis retratou em seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”: o personagem “Prudêncio”, por ter sido chicoteado durante a infância, chicoteia outros na fase adulta. Assim, a valorização do passado é, indubitavelmente, importante para que se evite a constante formação de “Prudêncios” pela mentalidade escravista, reproduzida no cenário urbano.
Outrossim, somado a exclusão racial, existe a desigualdade na distribuição de renda, a qual, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1% do mais ricos, recebem 34 vezes mais do que a metade dos mais pobres. Assim, em busca de uma sociedade alternativa, já que o Estado é incapaz de fornecer educação, saúde e moradia aos socioeconomicamente desamparados, estes recorrem a violência, para prover o que o Estado não oferece. Assim, a negligência do poder público para com a desigualdade é um fator que agrava a violência urbana, já que neste ambiente, segundo Emile Durkheim, prepondera o culto ao individual, ao invés da solidarização com o coletivo.
Valorizar o passado, portanto, é indispensável, para a evitar a repetição da injustiça social, por conseguinte, a violência urbana. Assim, é necessário que o governo federal e estadual, destine verbas para o: reparo e manutenção dos museus nacionais; Ministério da Educação conseguir valorizar, por meio da otimização de livros escolares, as matérias pré-citadas e a empatia da coletividade no meio urbano. Só assim, a memória coletiva será valorizada e a distopia de 3% deixaria de existir.