Violência urbana no Brasil

Enviada em 22/10/2019

Por menos Zé Pequeno

O cineasta Fernando Meirelles retrata, no filme “Cidade de Deus”, a história de “Dadinho”, uma criança alegre e inteligente, mas que, influenciado por traficantes da favela na qual mora, aprende a matar com naturalidade e, ao tornar-se criminoso, declara a mudança de seu nome para Zé Pequeno. Fora do cinema, essa cruel violência urbana, vivenciada pelo personagem, assola substancial parcela da sociedade brasileira. Dessa forma, é preciso analisar os fatores que perpetuam essa problemática: a violência policial e as precárias políticas sociais do governo .

Primeiramente, é notório que a política de repressão violenta adotada pelas polícias brasileiras são ineficientes. Nesse sentido, o sambista Bezerra da Silva proferiu o seguinte em sua música: “Esclarecendo ao meu povo a demagogia como é \ Violência gera violência \ Quem avisa amigo é”. Entretanto, as entidades de garantia da lei não seguem o esclarecimento de Bezerra na medida em que realizam operações em comunidades carentes com utilização fuzis que constantemente terminam com mortes de bandidos, agentes de segurança e inocentes. Consequentemente, tais operações geram retaliações e esse ciclo vicioso banaliza a violência, que torna-se comum para o cidadão.

Ademais, a pouca importância do Estado com as políticas sociais colaboram para a problemática. Com efeito, tal ausência tem duas consequências inseparáveis: desigualdade social e violência. Nesse viés, o geógrafo e ativista brasileiro Josué de Castro defendeu que é impossível alcançar a paz num mundo dividido em abundância e miséria. Dessa forma, a tese de Castro é percebida no Brasil na medida em que a marginalização da população carente é colabora para o aparecimento de mazelas que perpetuam a violência - como organizações criminosas, tráfico de drogas, assaltos e assassinatos.

É evidente, portanto, que a naturalização da violência é uma mazela a ser combatida. Sendo assim, para minimizar a violência policial, urge que o Estado conscientize os agentes de segurança sobre as mazelas do uso de força excessiva - como atirar a esmo nas favelas -, por meio de campanhas que demonstrem a ineficiência dessa prática. Além do mais, para diminuir a desigualdade social, deve criar escolas técnicas nas favelas, por meio de parceria com instituições profissionalizantes - como o SESC e SENAC. Dessa maneira, o Brasil mitigaria a violência e menos “Dadinhos” se tornariam “Zés Pequenos.”