Violência urbana no Brasil

Enviada em 23/10/2019

No livro “Capitães da Areia”,escrito por Jorge Amado,é retratado o cotidiano de um grupo de jovens marginalizados que cometem pequenos furtos para a subsistência.Hodiernamente,o romance assemelha-se à questão da violência urbana no Brasil,na medida em que a crítica presente na obra reflete as disparidades sociais e raciais,seja por raízes históricas ou administrativas, que fomentam essa conjuntura na sociedade.

Em primeiro lugar,ao avaliar o tema por um prisma estritamente histórico, nota-se a ineficácia da lei áurea,promulgada no Segundo Reinado,a qual não abrangeu medidas que visassem melhores condições de vida para os ex-escravos.Paralelamente,esse contexto é refletido na baixa escolarização e perpetuação de pessoas negras nas periferias,os quais contribuem para a ascendência da criminalidade.Prova disso é que,no país, segundo dados da Folha de São Paulo, homens negros são os que mais morrem e os que mais matam.Logo,a violência urbana trata-se de uma questão também racial.

Outrossim,a persistência e dificuldade de atenuar as desigualdades,ainda, têm forte ligação com o período de industrialização do Brasil quando ocorreu o crescimento citadino sem planejamento adequado.Desse modo,  ao ter em conta os problemas de ordem social fomentados em decorrência disso,evidencia-se que a má administração governamental é intrinsecamente responsável pelo ambiente hostil no meio urbano.Não obstante,tal fato revela incongruência na lei,haja vista o artigo 3 da Constituição Federal de 1988 assegurar o desenvolvimento nacional fundamentalmente.

Por conseguinte,são necessárias medidas para mudar esse atual quadro. Diante disso,o Governo Federal,a fim de conter a violência nas cidades, deve cumprir com seu papel administrativo ao direcionar suas verbas para a mitigação das mazelas sociais e raciais.Isso será possível por meio de investimentos na educação em favelas e periferias,onde há mais pessoas negras e de baixa renda,que incluem melhora na infraestrutura e na qualidade de ensino,além da maior oferta de empregos,os quais sejam qualificados e bem remunerados.Assim,se restringirá a literatura brasileira à ficção.