Violência urbana no Brasil

Enviada em 29/10/2019

O geógrafo Milton Santos, na sua obra “Por uma outra globalização”, faz uma série de críticas ao atual modelo de globalização e, também, defende que a lógica hipercalista desencadeou inúmeros problemas sociais. Nesse âmbito, pode-se analisar que a sociedade vigente perpassa por um crítico cenário: a violência urbana que, por sua vez, está relacionada às desigualdades como também à ineficiência do Poder Público. Dessa forma, é necessária a tomada de novas medidas para que se resolva a questão.

A priori, é importante destacar que com o intenso êxodo rural, no início do século XX, o inchaço urbano foi impulsionado em algumas regiões do país. Nesse contexto, muitas pessoas sem condições suficientes para residirem nos centros da cidade, migraram para os bairros mais periféricos o que, infelizmente, contribuiu para que se tornassem locais de extrema violência. Sendo assim, inúmeros indivíduos optaram pelo mundo do crime devido à falta de oportunidade para os mesmos. Tal fato pode ser relacionado de acordo com o filme Cidade de Deus, no qual retrata sobre como é a vida na favela. Desse modo, é fundamental ressaltar sobre a importância de oferecer novas oportunidades para esses moradores.

A posteriori, cabe abordar que a questão carcerária é um fator que está relacionado à tal premissa, visto que muitas penitenciárias são super lotadas e , também, encontram-se em estado precário. Nesse viés, os detentos são isentos de uma reabilitação social de forma digna e humana que, consequentemente, intensifica o processo de expansão das facções criminosas, tornando esses espaços propícios a revolta e a delinquência. Tal fato pode ser comprovado de acordo com o Massacre de Carandiru, no qual 111 detentos foram mortos pelas mãos da polícia. Dessa forma, é imprescindível que mudanças no âmbito carcerário sejam estabelecidas para ajudar na reinserção dos indivíduos em questão.

Torna-se necessário, portanto, que o Governo Federal possa oferecer maiores oportunidades de emprego e de segurança para os moradores dos bairros periféricos, por intermédio de maiores escoltas policiais e,também, do desenvolvimento de escolas nessas regiões, com o objetivo de construir uma sociedade mais estruturada e harmoniosa. Além disso, é relevante que o Ministério da Justiça possa auxiliar no processo de desenvolvimento pessoal do prisioneiro, por meio de melhorias nas celas, de palestras, ministradas por ex-detentos e psicólogos, da organização de oficinas de trabalho para estimular aos detentos a prática do trabalho e dos estudos, com o fito de garantir que esses indivíduos sejam inseridos na sociedade de forma pacífica a fim de minimizar os índices de violência urbana.