Violência urbana no Brasil

Enviada em 30/10/2019

Dada a Constituição Brasileira redigida em 1988, o artigo 5° prevê - dentre outros - o direito à vida. Contudo, os dados documentados nos últimos anos expõem a fragilidade do sistema e o crescente exponencial de mortos por causas violentas no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o FBSP, foram datados, em média, 153 mortes por dia em 2016. Tal conjuntura é originada a partir de uma acentuada desigualdade social e se perpetua através da ausência de uma inteligência operacional.

A violência urbana não é um produto de ordem natural, é uma relação social que expressa os conflitos citadinos. A apropriação do espaço pelo capitalismo tardio - iniciado na projeção de indústrias de base no período do governo Vargas - gerou uma urbanização caótica e agressiva, que acarretou em uma desigualdade acentuada, cuja consequência é a potencialização de conflitos frente à crescente degradação e hostilidade da vida cidadã. Desse modo, as metrópoles são caracterizadas pela convulsão de forças fragmentadas que competem entre si e elucidam o cotidiano violento presente no Brasil.

Em adição, a conjunção é agravada devido ao elo frágil presente no sistema operacional, que declina devido à ausência de uma inteligência efetiva. As inúmeras operações são relatadas como intentonas, marcadas por uma intensa violência e nenhum êxito expressivo que desencadeie em melhoras no quadro social que se alastra pelo território nacional. Assim, tais condições fomentam na perpetuação do crescimento da violência urbana e impede o poder de coerção através da detenção do monopólio da violência e do uso legítimo da força, características que, segundo o sociólogo Max Weber, demarca tal entidade como qual.

Dessarte, urge a atuação do Ministério da Ciência na elaboração de projetos urbanísticos que, através de estudos de campo, apresentem novas organizações citadinas que ofereçam infraestrutura, afim de diminuir as tensões originadas a partir da caótica e desorganizada urbanização e, por consequência, minimizar a violência. Não só, faz-se necessária a atuação do Ministério da Segurança na concepção de estudos que, através de entrevistas com os combatentes, busquem estratégias e técnicas especializadas que melhorem a atuação dos agentes e evitem a proliferação da violência urbana, possibilitando, assim, uma melhor conjuntura social.