Violência urbana no Brasil
Enviada em 31/10/2019
A violência é um problema estrutural em âmbito nacional. É de suma importância enfatizar que fatores como o difícil acesso à educação por parte da população mais pobre e o ingresso de jovens no crime organizado compõem tal estrutura. Logo, nota-se a ausência do Estado, no que diz respeito às políticas públicas, para a solução ou amenização da violência urbana na sociedade brasileira.
É fundamental salientar que o maior grupo que está inserido nas estatísticas de violência urbana são de jovens, com idade entre 15 e 19 anos, do sexo masculino, que correspondem a 56,5% do total de mortes violentas, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Desse modo, esses dados refletem o descaso do Estado na formação efetiva da cidadania desses adolescentes. Ou seja, a falta de investimentos na educação em lugares mais isolados e com difícil acesso fazem com que este grupo da sociedade encontre meios não saudáveis à sua construção no meio social em que está inserido, onde, são levados a praticar atos ilícitos, vindo, posteriormente, a produzir atividades violentas contra a população.
Ademais, o tráfico de drogas se apropria da população economicamente vulnerável, onde essa, por falta de recursos causados pelo desemprego, falta de programas sociais, entre outros fatores, ingressa no mundo do crime organizado a fim de gozar de uma remuneração maior. Desse modo, a entrada no narcotráfico é realçada no público juvenil das periferias, onde, segundo a ONG Observatório das Favelas, a principal faixa etária em que tal grupo começa a praticar atividades ilegais é entre 13 e 15 anos, com 54,4% das respostas dos 261 entrevistados. Dessa forma, é notável a falta de prudência do Governo Federal em realizar programas de inclusão para a formação de jovens no intuito de conscientizá-los, reforçando uma estrutura que mantém essa parte da sociedade nascendo e morrendo em contato com atividades criminosas.
Portanto, é dever do Estado, por meio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), prover investimentos para melhorar as estruturas das escolas públicas em periferias e áreas de extrema pobreza por intermédio de uma parceria pública-privada. Outrossim, o Ministério da Economia deve realizar políticas de geração de emprego para pessoas com renda baixa através da criação de cursos profissionalizantes, junto ao já citado MEC, para produzir mão-de-obra qualificada e boa oferta de emprego, gerando renda mais digna a essa população e, por conseguinte, amenizando a entrada de garotos no crime organizado.