Violência urbana no Brasil
Enviada em 02/03/2020
O documentário “Onibus 174”, do diretor José Padilha, relata um dos acontecimentos mais trágicos do histórico de violência brasileira: o sequestro em um transporte público carioca. A obra considera que a personalidade do criminoso foi determinante para a sua conduta, haja vista que, em uma sociedade marcada pela desigualdade e falta de infraestrutura, a formação de caráter ocasionada, principalmente, pela convivência familiar é um fator decisivo para a persistência da violência urbana. Com isso, é imperioso ressaltar os impactos dessa conjuntura no Brasil, com destaque à alta mortalidade de jovens.
Nesse contexto, a falta de políticas públicas e a estruturação emocional colaboram para essa mazela. A desigualdade de acesso à educação e a escassez de oportunidades é uma realidade no país, tal fato gera uma ausência de perspectiva de profissionalização para a população menos favorecida, o que os tornam vulneráveis e, infelizmente, aumenta a probabilidade de encontrar na criminalidade uma forma de sustento e “status”. Somado a isso, Rousseau considera que a família pode moldar as virtudes dos indivíduos, logo, percebe-se que quando tal instituição é ausente o diálogo e o apoio psicológico se tornam escassos. Diante disso, muitos jovens enxergam o crime como maneira de reconhecimento e, sendo assim, casos como tráfico de drogas e homicídios se tornam cada vez mais frequentes, haja vista que segundo o Atlas da Violência só em 2017 ocorreram mais de 65 mil assassinatos no país.
Dentre outras consequências desse cenário, os reflexos sociais são os mais recorrentes. Apesar de a ideia de biopoder proposta por Michel Foucault, de que o Estado tem a autoridade de evitar os problemas da nação, tal poder não é bem exercido, já que a falta de investimentos em prevenção e o despreparo dos profissionais é uma realidade da segurança pública. Em efeito disso, o grande número de violência como sequestros e estupros - que, segundo o Ministério da Saúde são mais de 180 por dia - provocam impactos físicos e psicológicos que requerem maior suporte do sistema de saúde que, de praxe já sofre com falta de recursos. Desse modo, o descaso governamental perante a criminalidade urbana provoca prejuízos interligados aos serviços públicos e, consequentemente, à população.
Evidencia-se, portanto, que são várias as causas para a persistência da violência urbana no país, e nota-se a necessidade de evitá-las. Para isso, cabe ao Governo Federal aumentar a inclusão social de jovens de baixa renda, mediante criação de programas esportivos nas escolas e o aumento das vagas de primeiro emprego, no intuito de diminuir a ociosidade desses individuos e fornecer oportunidades de profissionalização. Além disso, é crucial que a família esteja presente na formação de caráter dos indivíduos, por meio da priorização do diálogo, a fim de combater a inserção à criminalidade. Assim, será possível diminuir os altos índices de marginalidade e cumprir com a teoria de Biopoder.