Violência urbana no Brasil

Enviada em 04/03/2020

A violência pode ser entendida como a manifestação de interesses, vontades e exercício de poder entre indivíduos de realidades assimétricas. Por conseguinte, observa-se no Brasil, nos últimos anos, um aumento generalizado da violência decorrente da atuação ineficiente do Estado de garantir segurança à sociedade.

Nota-se, que o aumento da violência tem causas complexas e afeta a sociedade de forma desigual em função dos diferentes grupos sociais. De fato, a violência atinge sobretudo os mais pobres e as minorias por serem menos protegidas pelo governo. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Ipea (Instituto de pesquisa econômica aplicada), o número de homicídios denunciados, contra homossexuais, por exemplo, subiu de 5 casos em 2011 para 193 em 2017. Além disso, segundo o instituto, entre os grupos mais vulneráveis (LGBTQ, idosos, mulheres), 75,5% das vítimas são negras.

Embora existam leis que garantem a integridade física e moral de qualquer cidadão, falta contudo, poder de aplicá-las. O sistema brasileiro tornou-se demasiadamente burocrático. A burocracia excessiva bagunçou a Administração, que não forma policiais suficientes e contribui para o aumento das diferentes desigualdades sociais. Consoante com um estudo da Global Peace Index, em países desenvolvidos, como Nova Zelândia e Canadá, os índices de violência são bem mais baixos. Isso decorre do rigoroso combate ao crime organizado e da eficiente distribuição de renda.

Os desafios, portanto, para o combate a violência são muitos. É preciso desburocratizar o sistema penal brasileiro de forma a garantir que as leis sejam aplicadas em sua totalidade. Com isso, é preciso, também, formar cada vez mais policiais de forma a garantir maior agilidade no atendimento às comunidades. Isto posto, é necessário ampliar as oportunidades para pessoas jovens por meio de investimentos em educação e empregabilidade capazes de desafiar estereótipos de identidade, raça e classe social.