Violência urbana no Brasil
Enviada em 25/04/2020
No livro Capitães da Areia, escrito por Jorge Amado, um grupo de crianças de rua aterroriza a cidade de Salvador cometendo diversos crimes contra a população, vários jornais da cidade noticiaram os maus feitos da quadrilha de delinquentes baianos, liderada por Pedro Bala. Dessa forma o autor descreve a questão da violência urbana e revela que além desse não é um problema novo, também está fortemente vinculado à desigualdade social vivida nos grandes centros. Sendo um problema que está diretamente ligado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela irresponsabilidade social.
A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que atacam a causa raiz do problema da violência urbana que é a desigualdade. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar segurança e igualdade para os cidadãos. De certo, isso se demonstra na escolaridade da população carcerária do Brasil, pois segundo pesquisa do Infopen, sistema de informações penitenciárias, 65% dos presos em penitenciárias masculinas não concluíram nem o ensino fundamental.
Outrossim, destaca-se a cultura da inércia de uma parte da sociedade, que muitas vezes, devido ao senso comum, minimiza problemas causados pela violência urbana e encara a escalada da criminalidade com banalidade, não colocando em pauta políticas públicas que atenuem as causas da criminalidade.Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Isso se demonstra nos programas policiais da TV brasileira, líderes de audiência, que tratam a violência de forma superficial sem se preocupar com a solução do problema, refletindo um comportamento da população e gerando um prejuízo social incalculável.
Diante desse cenário, é mister que o Estado, que tem como objetivo zelar e organizar o povo brasileiro, promova a educação com foco na população carcerária e também nas pessoas em situação de pobreza, disponibilizando cursos profissionalizantes e de graduação voltados exclusivamente para essa parcela da sociedade, a fim de minimizar os efeitos que a desigualdade social tem sobre a violência urbana, melhorando a qualidade de vida de todos os brasileiros. Além disso as instituições educacionais devem promover o debate sobre a violência de forma madura, através de campanhas de conscientização para que, gradativamente,seja possível que a criminalidade descrita por Jorge Amado fique cada vez mais na ficção.