Violência urbana no Brasil
Enviada em 10/05/2020
No romance brasileiro “Capitães da Areia”, escrito por Jorge Amado em 1937, a vida de um grupo de meninos é retratada em meio às dificuldades impostas pela sociedade na metrópole de Salvador. Diante desse cenário, a criminalidade e a violência são ferramentas misteres no processo de sobrevivência dos indivíduos. No Brasil Pós-Moderno, analogamente, a violência urbana se vê, de fato, atrelada às desigualdades sociais e ao determinismo imposto pelo meio.
Mormente, ao tomar como norte uma nova esfera estritamente histórica acerca do processo de desenvolvimento estrutural das metrópoles brasileiras, nota-se o advento da exequível desigualdade social. Nesse ínterim, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, no ano de 1808, iniciou-se o famigerado período joanino e um desalinhamento na relação centro periferia. Desse modo, populares residentes nos centros urbanos foram realocados, por meio da violência física e psicológica, às periferias. Não obstante, a falta de oportunidades e a negligência estatal perante à realidade periférica fomentam a violência urbana, em vias da facínora segregação social prorrogada pelas tropas de D. João VI.
Outrossim, vale ressaltar a perspectiva sociológica em torno das determinações sociais. Nesse sentido, cabe analisar a máxima do filósofo alemão Friedrich Nietzsche ao afirmar a existência de uma força universal que movimenta toda a vida. Ademais, a perspectiva nietzscheana propõe tal força de poder enquanto ferramenta determinista na sociedade, haja vista as imposições do meio frente às desigualdades sociais. Diante disso, a violência no espaço urbano faz-se presente nas periferias nacionais, em vias da perpetuação de um cenário restrito dos adventos sociais, onde a violência ocupa faceta mister no processo de sobrevivência.
Percebe-se, portanto, que a violência urbana enfrenta barreiras preocupantes no Brasil. Desse modo, cabe ao Ministério da Infraestrutura, principal órgão responsável pelos desenvolvimentos estruturais no país, promover uma estratégia que mitigue tal impasse social. Isso deve ser possibilitado por meio de políticas públicas, em parceria às empresas e aos centros de formação profissional, que insiram os populares residentes nas periferias no mercado de trabalho, a exemplo do oferecimento de cursos de capacitação profissional direcionados ao benefício social. O objeto deste feito é tanto inibir as desigualdades sociais quanto coibir as imposições deterministas. Somente assim, atenuar-se-á um cenário nacional onde as oportunidades oferecidas mistifiquem jornadas como a dos jovens garotos em “Capitães da Areia”.