Violência urbana no Brasil
Enviada em 30/05/2020
Recentemente, diversos jornais internacionais reportaram o caso de extrema violência contra George Floyd nos Estados Unidos, no qual um policial o sufocou até seu óbito. Infelizmente, o triste cenário internacional é uma realidade vigente no Brasil de modo que, a violência urbana no país faz-se indubitavelmente presente no cotidiano brasileiro. Dessa forma, é mister analisar a constante banalização do mal, bem como indivíduos que realizam justiça por meios próprios e individuais, não relacionados à Lei, como fatores que agravam a problemática que permeia a trágica morte de George.
A priori, a corriqueira e intensa violência que ocorre diariamente no Brasil está, cada vez mais, sendo considerada normal pela população. Outrossim, a filósofa Hannah Arendt relaciona o aumento da problemática urbana com a naturalização da mesma, ou seja, as sociedades vêm tornando-se habituadas a presenciar o ódio – principalmente pela imprensa - ao passo que, se tornam passíveis a ele, o considerando, muitas vezes, trivial. Com isso, a banalização do mal cerceia o espanto e choque que deveriam ser causados pelas notícias que relatam trágicos e violentos casos em meio urbano, porém, a revolta contra tais ações é gradativamente suprimida através da naturalização. Destarte, é certo que, a resposta impotente da população contribui com a ampliação de eventos atrozes no país.
Ademais, a problemática da violência urbana encontra-se disseminada entre aqueles que preferem fazer justiça a seus modos em detrimento do que está estabelecido na Constituição vigente. Nesse cenário, os quadrinhos do super herói Batman – um justiceiro – expõem, não somente, as consequências da violência urbana - quando os pais do herói são mortos em um beco por um ladrão – como também, as causas – o falecimento da sua família, que faz com que o Cavaleiro das Sombras busque vingança daqueles que roubam, matam e descumprem a lei. Dessarte, é perceptível o ciclo paradoxal que ocorre quando a Magna Carta não é respeitada, independentemente das motivações individuais para tal, o que resulta na perpetuação da violência urbana.
Sendo assim, faz-se necessária a adoção de medidas a fim de mitigar as problemáticas que permeiam a questão da ampla bestialidade no Brasil. Por certo, urge que o Ministério da Justiça e Segurança, órgão do governo responsável por zelar pela seguridade dos cidadãos brasileiros, realize um projeto de lei que intensifique a necessidade da não banalização de notícias sobre brutalidade urbana que são veiculadas na imprensa. Essa medida, visa a comoção e revolta populacional quanto aos eventos noticiados, ao invés da neutralidade e banalização atuais. Finalmente, por meio da lei entregue à Câmara dos Deputados, que revela a prática de naturalização do mal como nociva à segurança individual, espera-se que a violência urbana deixe de representar uma realidade no Brasil.