Violência urbana no Brasil
Enviada em 25/05/2020
Ainda no século XVII, o filósofo inglês Thomas Hobbes afirmou em sua obra “Leviatã”, que a principal função do Estado é garantir a vida e a segurança de sua população para manter a paz coletiva. No entanto, não é o que ocorre no Brasil contemporâneo, em que a principal causa de morte entre os jovens é o homicídio proveniente da violência urbana. Com isso, essa modalidade de violência representa um problema ameaçador para a sociedade e precisa ser combatido, a começar pelas causas e também atenuando as consequências.
Primeiramente, é importante destacar que a raiz da violência urbana está associada à desigualdade social. Esse contraste foi formado por diversos fatores históricos, como a abolição da escravidão sem políticas públicas para os negros, e o inchaço urbano com ausência de infraestrutura promovido pela industrialização no século XX. Desse modo, formou-se comunidades carentes marginalizadas, com uma população pobre e predominantemente negra, que sofre com a ausência do Estado, e são assediados pelo crime para aumentarem sua renda. Além disso, há o problema dos policiais, que passam por uma preparação ruim, recebem baixos salários, e estão constantemente associados a corrupção e ações truculentas, que provocam medo na população.
Diante disso, a violência foi institucionalizada e o Brasil possui, segundo a Organização das Nações Unidas, um índice de homicídios 5 vezes maior que a média global. Essa elevada taxa de assassinatos revela outro número assustador e que mostra que a maioria das vítimas possuem as mesmas características. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 71% das mortes violentas são praticadas contra negros, e a maior parte delas são resultado da violência policial. Para se ter uma noção, desde maio de 2019, três crianças foram mortas devido a política de segurança pública desastrosa do Rio de Janeiro, em que o Governador Wilson Witzel concedeu carta branca para os policiais entrarem em favelas e combaterem o crime com mais violência.
Portanto, é evidente que a violência urbana está atrelada a um problema estrutural, e que não será resolvido com mais hostilidade. Para isso, é imprescindível que o Estado atue em duas áreas: locais com população de baixa renda e preparação policial. Na primeira, o povo precisa desfrutar de uma vida digna, com acesso a saneamento básico, educação, saúde e segurança. Na segunda, a polícia precisa aprender a atuar de maneira mais humanizada, sem violência para poder proteger seus cidadãos, além de contar com melhores salários. Só assim, com uma população com possibilidade de estudar para melhorar sua condição, e amparada por um policiamento que assegure seu direito de ir e vir e não atente contra a sua vida, será possível construir uma sociedade aos moldes daquela de Hobbes.