Violência urbana no Brasil
Enviada em 31/05/2020
Recentemente, diversos jornais internacionais reportaram o caso de extrema violência contra George Floyd nos Estados Unidos, no qual um policial o sufocou até seu óbito. Infelizmente, o triste cenário internacional também é uma realidade vigente no Brasil, de modo que a violência urbana no país faz-se indubitavelmente presente no cotidiano brasileiro. Dessa forma, é mister analisar a constante banalização do mal, bem como o ato que indivíduos encontram de executar justiça por meios próprios, não relacionados à Lei, como fatores que agravam a problemática que permeia a trágica morte de George.
A priori, a corriqueira e intensa violência que ocorre diariamente no Brasil está, cada vez mais, sendo considerada normal pela população. Outrossim, a filósofa Hannah Arendt relaciona o aumento da problemática urbana com a sua naturalização, ou seja, as sociedades vêm tornando-se habituadas a presenciar o ódio – principalmente pela imprensa - ao passo que tornam-se passíveis a ele. Com isso, a banalização do mal cerceia o espanto e choque que deveriam ser causados pelas notícias que relatam violentos casos em meio urbano e a revolta contra tais ações é gradativamente suprimida através da naturalização. Destarte, é certo que há contribuição com a ampliação de eventos atrozes a partir da resposta impotente da população a eles.
Ademais, a problemática da violência urbana encontra-se disseminada entre aqueles que preferem fazer justiça a seus modos em detrimento do que está estabelecido na Constituição vigente. Nesse cenário, os quadrinhos do super-herói Batman – um justiceiro – expõem, não somente, as consequências da violência urbana - quando os pais do herói são mortos em um beco por um ladrão, como também as causas – o falecimento da sua família faz com que o Cavaleiro das Sombras busque vingança daqueles que roubam, matam e descumprem a lei. Dessarte, é perceptível o violento ciclo que ocorre quando a Magna Carta não é respeitada pela ineficiência do Estado em, de fato, executar justiça. Sendo assim, com a negligência estatal, bem como a imprudência civil, ocorre a trágica perpetuação da violência urbana no Brasil.
Assim sendo, faz-se necessária a adoção de medidas a fim de mitigar as problemáticas que permeiam a questão da ampla bestialidade. Por certo, urge que o Ministério da Justiça e Segurança, órgão do governo responsável por zelar pela seguridade dos cidadãos brasileiros, realize um projeto de lei que corrobore a não banalização de notícias sobre brutalidade urbana veiculadas na imprensa. Finalmente, por meio da lei entregue à Câmara dos Deputados, que revela a prática de naturalização do mal como nociva à sociedade, vê-se a violência urbana fora da realidade brasileira.