Violência urbana no Brasil
Enviada em 17/06/2020
O conto de Machado de Assis, “Pai contra mãe”, publicado em 1906, retrata a trajetória social e psicológica de um caçador de escravos, Cândido Neves e da escrava Arminda. Mais de cem anos depois, existe menos crueldade humana. Entretanto, a violência urbana no Brasil ainda não foi erradicada. Percebe-se que o contexto do conto e o de hoje não tem grandes diferenças. Dessa forma, é preciso entender os verdadeiros motivos desse problema para solucioná-lo.
A princípio, é importante destacar que a prática da violência é decorrente da dificuldade de aceitar o diferente, o que está enraizado na cultura brasileira. A escola, junto com os pais, tem a responsabilidade de formar o caráter das crianças e dos jovens, passando exemplos de bondade e não aceitando atos discriminatórios. Porém, segundo os dados do mapa da violência da Organização das Nações Unidas (ONU), a população negra é a mais vulnerável à violência no Brasil. A cada 23 minutos, um jovem negro é morto no país, o que equivale a mais de 4200 óbitos ao ano. Desse modo, infelizmente, essa minoria ainda sofre devido ao passado histórico que se fixou na cultura brasileira.
Além disso, vale ressaltar que o Brasil é um dos países mais perigosos para homossexuais viverem. A população do país é conhecida, mundialmente, como um povo alegre, bem receptivo e comunicativo. No entanto, segundo a Organização Gay da Bahia, mais de 300 pessoas da comunidade LGBT são mortas anualmente, o que significa em média a uma morte a cada 28 horas. A homofobia ainda não é considerada crime no Brasil, mas mais da metade dos deputados é favorável a transformá-la em crime. Dessa maneira, lamentavelmente, atitudes agressivas e discriminatória devido ao preconceito em relação à orientação sexual continua a acontecer, pondo fim ao direito à liberdade dessa minoria.
É notável, portanto, que a violência urbana no Brasil necessita ser amenizada. Logo, é necessário que o Governo Federal sancione leis contra a violência e melhore as já existentes, abra mais canais para a denúncia e postos policiais a fim de diminuir o alto índice de violência verbal e física. Além disso, a mídia, como potencial formadora de opiniões, necessita expor projetos, trabalhos, debates e campanhas publicitárias esclarecedoras a fim de reduzir as agressões físicas e psicológicas contra a sociedade afetada. Nesse cenário, a violência social não terá o mesmo fim trágico que no conto “Pai contra mãe”.