Violência urbana no Brasil
Enviada em 05/08/2020
Assaltos à mão armada, assassinatos, depredação do patrimônio público. Essas são algumas das formas de manifestação da violência urbana vivenciadas, quase que diariamente, pelo cidadão brasileiro. Nessa perspectiva, é notória a importância de analisar o porquê disso acontecer tão rotineiramente e quais são os seus impactos na sociedade.
Em primeiro plano, cabe destacar como as discrepâncias na sociedade influenciam na vida do jovem brasileiro. Segundo o índice de Gini, medidor das desigualdades sociais entre os países, o Brasil se encontra entre os 10 países mais desiguais do mundo. Essa realidade, faz com que as pessoas não tenham acesso a recursos, que deveriam ser básicos, como o acesso facilitado a uma educação de qualidade, sem escolas com salas de aula lotadas e estrutura precária. Em decorrência disso, sem um ensino adequado torna-se mais difícil a inserção no mercado de trabalho, o que configura um não cumprimento da constituição federal de 1988, que assegura como um dos direitos constitucionais o emprego, e que deveria ser de fácil e igual acesso para todos.
Em segundo plano, convém analisar as consequências da disparidade social no Brasil. Essa questão, faz com que pessoas mais vulneráveis a essa condição tenham uma maior chance de optar pela vida do crime para poder sobreviver. Nesse contexto, a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu livro “As origens do totalitarismo” aborda o conceito da banalidade do mal, para ela determinados comportamentos estão intrínsecos na sociedade de tal forma que parecem algo do cotidiano. Dessa forma, o crime já é algo tão comum no Brasil, principalmente nos grandes centros urbanos, que existem até “kits para roubo” em que são vendidos celulares, dinheiro e documentos falsos para tentar evitar que sejam furtados os itens verdadeiros. Nesse sentido, é explícito a insegurança vivenciada nos polos industriais, o que faz necessário mudanças para evitar que o roubo seja uma alternativa de futuro na vida dos cidadãos.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de diminuir as disparidades socioeconômicas no Brasil. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação, primeiramente, priorize o acesso à educação de qualidade, por meio de maiores repasses financeiros nessa área. Assim, será possível aumentar o número de escolas, o que diminuirá o superlotamento, além de melhorar a infraestrutura, o que tornará o ambiente mais atrativo para o estudante. Com isso, espera-se que se tenha um ensino melhor, e que as pessoas tenham uma melhor perspectiva para o futuro e não seja necessário o envolvimento no crime.