Violência urbana no Brasil
Enviada em 13/07/2020
O quadro “Guernica”, do pintor Pablo Picasso, retrata, por meio de formas geométricas, o caos e a angústia experimentados por inúmeros cidadãos espanhóis durante a guerra civil na década de 30. Na contemporaneidade, o horror pincelado por Picasso também denuncia a violenta realidade vivida por diversos brasileiros, que precisam lidar diariamente com a violência urbana. Nesse ínterim, para a reversão desse quadro é indispensável averiguar suas principais causas: a insuficiência legislativa e o silenciamento midiático.
Convém ressaltar, a princípio, que a insuficiência legislativa é um fator determinante para o problema. A Constituição Federal de 1988 garante a inviolabilidade aos direitos humanos, entre eles, o direito à segurança. Entretanto, segundo uma pesquisa realizada pelo Atlas da Violência de 2018, o Brasil é um dos dez países mais violentos do mundo. Sob este viés, percebe-se uma realidade antagônica à lei e similar à obra Cidadãos de Papel, do escritor Gilberto Gilmeisntein, pois, apesar de os cidadãos possuírem direitos assegurados pela Legislação, na prática não ocorre como deveria, ocasionando medo e tensão devido ao alto índice de violência.
Além disso, outra adversidade encontrada é o silenciamento midiático nas narrativas jornalísticas. Consoante Pierre Bordieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em instrumento de opressão. No entanto, partindo da premissa de constantes evoluções éticas e culturais, percebe-se uma transformação na forma com que o homem lida com a violência, agindo com indiferença e desprezo, a exemplo disso, pode-se usar como referência o vídeo “Nota de Repúdio” do canal Porta dos Fundos no YouTube, onde, ao final do vídeo, é feito um memorial de dezenas de jovens brutalmente assassinados em suas casas, mas, que não obtiveram atenção da mídia após o falecimento.
Em síntese, medidas devem ser tomadas para mitigar as consequências dessa inercial problemática. Dessa forma, faz-se necessário que o Ministério da Justiça e Segurança amplie a divulgação das formas de prevenção e como efetuar denúncias sobre violência, por meio de mídias televisivas e sociais, por intervenção de vídeos e publiposts, a fim de promover maior integração social e, consequentemente, uma sociedade mais informada sobre seus direitos, uma vez que as mídias sociais integram pessoas de diferentes classes e culturas, o que possibilita um maior alcance de tais campanhas. Desse modo, a mídia estará levando informações acerca da violência e o imbróglio do silenciamento será solucionado.