Violência urbana no Brasil
Enviada em 07/12/2020
Nem paz, nem voz
A morte do adolescente João Pedro, de 14 anos, durante uma operação policial em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, em maio de 2020, ganhou repercussão na mídia nacional. Contudo, casos como esse se mostram recorrentes nas principais cidades do Brasil, segundo o jornal O Globo, mais de meio milhão de brasileiros morreram de forma violenta na ultima década. Assim sendo, são evidentes os males desse problema para a população do país, bem como ineficiência governamental em solucioná-lo.
A princípio, é preciso destacar o fenômeno do culto à violência presente na sociedade brasileira, observado pelo sociólogo Renato Sérgio de Lima, diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Sob seu ponto de vista, o medo da violência, agravado pelo contexto de crise econômica, torna a população mais propensa a apoiar posições autoritárias, ou seja, julgam a repressão violenta na solução de conflitos como necessária. Ademais, tal fenômeno ocorre não só em nível coletivo mas também individual pois a veneração à violência é uma forma de autoafirmação, demonstração de força e virilidade, sobretudo entre os homens. Em suma, a violência se perpetua a medida em que é vista por grande parte da população como o único - ou, por vezes, o melhor - recurso.
De outra parte, a resposta do Estado a esse revés é profundamente ineficaz. No estado de São Paulo, por exemplo, entre 2015 e 2017, 40% das ações policiais de combate ao tráfico tiveram o usuário como foco, segundo dados do Instituto Sou da Paz. Desse modo, foi retirado apenas cerca de 5% da droga em circulação e se mantiveram as estruturas do crime organizado, que é o maior responsável pela economia do tráfico. Além disso, ao focar nessas ocorrências de pouco impacto, os recursos policiais deixam de atuar em situações graves como roubos e estupros que tiveram aumento nos casos, de acordo com a instituição.
Urge, portanto, direcionar esforços no combate à problemática da violência urbana no Brasil. O Ministério da Justiça e Segurança Pública deve promover campanhas midiáticas, a serem veiculadas em rádio, TV e mídias sociais, com informações sobre direitos sociais, pluralidade de indivíduos e mediação de conflitos em instâncias confiáveis como a Justiça. Cabe ainda à polícia, nos âmbitos federal, estadual e municipal, rever sua estratégia e investir em ações mais efetivas contra o crime organizado e com um padrão menos violento de enfrentamento, utilizando-se de treinamentos voltados para direitos humanos e conciliação para, assim, promover a cultura de paz no país.