Violência urbana no Brasil
Enviada em 16/07/2020
Assaltos, homicídios, sequestros e estupros. Essas são algumas das manifestações da violência no contexto urbano nacional, que continua em ascensão no país, segundo dados do Atlas da Violência de 2018, que revela que a quantidade de pessoas que morrem no Brasil violentamente, equivale à queda de um Boieng 737 lotado diariamente. Dessa forma, tem-se que as diversas formas de agressão nos grandes municípios são consequências da desigualdade social sempre existente no país e tem como resultado, morte principalmente dos jovens, assim como a banalização da violência.
A priori, a brutalidade urbana está relacionada com o processo de formação das cidades no país, que foi feita de maneira acelerada e desestruturada. Assim, aqueles com menor poder aquisitivo, que eram a maioria, foram marginalizados e migraram para às áreas periféricas das cidades, onde o Estado não conseguiu garantir os direitos dessa parte da população como saúde e educação, estimulando assim, a desigualdade social. Todavia, locais onde não há a atuação do Estado, possibilita a ação do crime organizado, que alicia jovens para atividades ilícitas, que ingressam para o mundo do crime pois o enxergam como único modo de ascensão social. Isto é evidenciado pelo Atlas da Violência de 2019, que aponta que cerca de 90% dos assassinatos foram de pessoas do sexo masculino e entre estas, cerca de 70% sem completar os ciclos fundamentais e médio de ensino. Isso revela que a desigualdade social é uma das principais causas da violência no Brasil, e atinge sobretudo, a população pobre.
Contudo, as múltiplas expressões da violência nas cidades brasileiras têm como consequência a banalização dessa. A violência foi institucionalizada, e passou a ser considerada algo normal na sociedade contemporânea no Brasil, que pode não ser mudada ou combatida, um vez que o Estado mostra-se ineficiente em lidar com o problema. Assim, os habitantes de metrópoles brasileiras enxergam o medo e a insegurança proporcionada meio urbano como algo normal, e passam a viver com esses sentimentos. Entretanto, isso demonstra-se prejudicial para a saúde de tais moradores, uma vez que o medo da violência, sobretudo nas cidades, pode provocar ansiedade, síndrome do pânico e hipertensão, como aponta estudos da Organização Mundial da Saúde de 2017. Dessa forma, a violência urbana não atinge só as vítimas das agressões de fato, mas todos ao redor dela.
Logo, a fim de combater a violência nos meios urbanos, o Governo Federal a partir do Ministério da Educação poderia destinar parcela do Produto Interno Bruto diretamente para o investimento da criação de escolas técnicas, sobretudo em áreas urbanas periféricas. Nestas, teriam prioridade os jovens de baixa renda, para que esses consigam se profissionalizar e se inserir no meio de trabalho, a fim de proporcionar nestes, perspectivas maiores e melhores que organizações criminosas.